Milão pode pagar motoristas que trocarem carro por bicicleta

ciclistas usando bicicleta em milão

Apesar de todo charme dos italianos e da comida maravilhosa das nonnas, a Itália não conseguiu escapar de figurar em um triste ranking este ano: o de país que possui mais cidades com altos índices de poluição na Europa. Entre os 20 primeiros lugares, estão lá três metrópoles de suas metrópoles: Turin ( em um vergonhoso 3º lugar), Roma e Milão.

Em dezembro passado, a poluição em Milão tomou proporções assombrosas. Chamada de smog, a densa camada de poluentes, que ficou pairando no céu da cidade durante todo o mês, é formada de micropartículas, que, segundo especialistas, estão diretamente ligadas ao aparecimento de problemas respiratórios e pulmonares.

Para diminuir o nível da poluição, a prefeitura se viu obrigada a proibir a circulação de carros, motos e scooters no centro da cidade e a reduzir o valor do transporte público. Agora, Pierfrancesco Maran, secretário de Mobilidade e Meio Ambiente de Milão, quer lançar uma nova iniciativa: dar dinheiro para aqueles que deixarem o carro em casa e forem de bicicleta para o trabalho.

“Queremos que as pessoas tomem consciência de que andar de bike é muito mais saudável para elas e para a cidade”, diz Maran. O secretário não explicou ainda qual será o modelo de incentivo financeiro a ser utilizado. Ele está estudando outras iniciativas similares adotadas em países europeus. Uma das alternativas apontadas é o uso de um aplicativo que controlaria o uso da bicicleta, através da quilometragem e velocidade percorridas ou o percurso.

Milão fica num vale e por isso sofre com o efeito estufa. Sempre que há uma onda de calor, o ar quente demora a se dissipar, já que a cidade fica entre montanhas. Da mesma maneira, a poluição fica mais estagnada. Além disso, o Norte da Itália concentra toda a produção industrial do país, sentindo assim o reflexo direto dos gases poluentes liberados por fábricas e pelo transporte de bens.

Tornar a cidade italiana mais “amigável” às magrelas tem sido uma preocupação dos governos recentes. Nos últimos anos, o número de ciclovias em Milão dobrou e também as estações de compartilhamento de bicicletas, as BikeMi.

bicicleta em milão

Ponto da BikeMi, bicicletas públicas de Milão

No final do ano passado, o governo da Itália anunciou a criação de um fundo para soluções de mobilidade sustentáveis no valor de €35 milhões. Segundo o jornal britânico The Guardian, nas próximas semanas as cidades do país vão concorrer a uma fatia deste investimento.

Talvez o incentivo econômico não baste para convencer os milaneses, apaixonados confessos por carros e vespas (assim como os demais italianos), a trocar seus veículos por bicicletas, apontam alguns críticos de Maran. O que realmente move muitas pessoas a adotar a bike é o ganho de tempo. Em diversas cidades do mundo, é mais rápido chegar ao trabalho pedalando do que dirigindo ou até, usando o transporte público.

Entretanto, ciclistas precisam de segurança e ciclovias de qualidade. Além disso, empresas precisam se comprometer a estimular este hábito saudável em seus funcionários, através da oferta de estacionamentos para bicicletas, vestiários e chuveiros.

Em Copenhague, capital da Dinamarca, onde atualmente, 45% dos moradores pedalam para ir ao trabalho ou à escola, os ciclistas afirmam que “cycling isn’t ‘fun’, it’s transport”. Traduzindo: pedalar não é diversão, mas transporte. Por isso mesmo, o assunto é levado tão à serio naquele país. De acordo com uma pesquisa realizada lá, em 2010, 56% dos entrevistados afirmaram que usavam a bicicleta para chegar ao trabalho porque “é o meio mais rápido e fácil de andar na cidade”.

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Fotos: divulgação Comune Milano

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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