Mês passado foi o junho mais quente da história: temperatura esteve 10ºC acima da média na Europa

junho bate um novo recorde de calor para o planeta

 Em grande parte do mundo, era possível sentir que algo estava fora do normal. No comecinho do verão, em junho, longe ainda do pico dos meses mais quentes de julho e agosto, os europeus enfrentaram temperaturas recordes.

Na França, os termômetros bateram acima dos 40º graus – 45,9 graus, em Gallargues-le-Montueux, Gard. O calor foi tanto, devido a uma massa de ar quente vinda do Deserto do Saara, que o governo cancelou as aulas nas escolas e suspendeu um exame nacional que aconteceria. A prefeitura de Paris espalhou bebedouros e vaporizadores de água por toda a capital.

Na Inglaterra, os britânicos lotaram os parques para tentar conviver com 34º graus.

O mesmo se repetiu na Alemanha, Bélgica, Suíça, Áustria, República Tcheca e Espanha. Este último ainda sofreu com incêndios florestais provocados pelo calor extremo.

De acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), o mês de junho foi o mais quente já registrado até hoje naquele continente. A temperatura esteve em média 10º graus acima do normal para esse mês do ano.

“Cada onda de calor que ocorre na Europa hoje torna-se mais provável e mais intensa pelas mudanças climáticas induzidas pelo homem”, afirmam pesquisadores de diversos países, em estudo divulgado pela organização World Weather Attribution.

Em agosto de 2003, os europeus penaram com uma temporada de calor inclemente também. Naquele ano, as temperaturas extremas provocaram a morte de mais de 15 mil pessoas só na França.

“Ondas de calor são mortais, embora isso não seja facilmente visível no momento em que acontecem. Esse risco é agravado pelas mudanças climáticas, mas também por outros fatores, como o envelhecimento da população, a urbanização, a mudança das estruturas sociais e os níveis de preparação. O impacto total só é conhecido após algumas semanas, quando os números de mortalidade são analisados”, alertam os cientistas.

Não foi só junho! Maio também bateu recorde

E não foi só junho que os termômetros extrapolaram suas médias. A Agência Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA) dos Estados Unidos afirmou recentemente que maio de 2019 bateu recordes de calor. Ele foi o quarto maio mais quente já registrado na história do planeta (desde que essas medições começaram a ser tomadas há 140 anos).

Os lugares mais impactados foram o sul da África, Austrália, extremo norte da América do Norte, Ásia, partes do Oceano Pacífico, Mar de Barents e o sudeste do Brasil.

Além disso, a cobertura de gelo no Ártico (extensão) em maio foi 8,5% menor do que a média observada entre 1981 e 2010 – a segunda mais baixa para o mês já registrada. Na Antártica, a porcentagem era 13% menor.

A grande preocupação dos cientistas do clima é que todas essas alterações que parecem atípicas estejam virando “o novo normal” do planeta, com consequências devastadoras tanto para o meio ambiente, como para milhões de espécies que vivem na Terra, incluindo o ser humano.

Os extremos climáticos registrados pela NOAA em maio

Leia também:
Aquecimento e desmate podem cortar a Amazônia pela metade até 2050
Temperatura mais de 20oC acima da média na Groenlândia choca cientistas
Leonardo DiCaprio produz e narra novo documentário sobre crise climática: “Gelo em Chamas”

Montagem: reprodução NOAA

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta