Mergulhadores ‘convencem’ polvo a mudar de casa: deixar pra trás copo plástico no fundo do oceano

polvo dentro de copo plástico

O impacto do lixo plástico sobre a vida marinha nos oceanos é muito mais profundo e perverso do que imaginamos. E atualmente ele atinge a todos os seres que habitam os mares do planeta. Das gigantes baleias que têm morrido, sufocadas com plástico em seus estômagos, aos minúsculos organismos, nos abismos mais profundos, que ingerem micropartículas feitas com esse material.

Um exemplo desse problema pode ser ilustrado pelo vídeo abaixo, compartilhado no YouTube pelo mergulhador finlandês, Pall Sigurdsson.

Em dezembro do ano passado, ao lado de outros mergulhadores, na Indonésia, eles encontraram um pequeno polvo dentro de um copo plástico, a 20 metros de profundidade.

“Gastamos um mergulho inteiro e a maior parte do nosso ar para salvar esse polvo, que estava fadado a ter um destino cruel”, conta Sigurdsson.

O polvo de coco (Amphioctopus marginatus), também conhecido como polvo venoso, nasce com o instinto de se proteger, criando uma casa móvel a partir de cascas de coco ou moluscos, explica. “Este indivíduo em particular, no entanto, foi preso por seus instintos e fez uma casa com um copo de plástico, que encontrou debaixo d’água”.

O mergulhador ressalta que enquanto uma concha é uma proteção robusta, uma enguia ou outro peixe provavelmente engoliriam o copo com o polvo, o que mataria a ambos: presa e predador.

Durante várias tentativas, o grupo de mergulhadores ofereceu diferentes conchas para que o pequeno polvo trocasse a embalagem plástica por uma ‘casa’ mais segura e natural.

Enfim, a boa ação e todo o esforço (e o ar dos cilindros) valeram a pena!

A Era do Plasticídio

Atualmente uma quantidade absurda de plástico é jogada nos mares do planeta todos os anos. As correntes oceânicas formaram cinco ilhas gigantes destes resíduos, chamadas de Vortex, que se movem lentamente, em redemoinhos.

Estudo recentes revelam que cerca de 5 trilhões de resíduos plásticos, pesando mais de 250 mil toneladas, boiam pelos oceanos. Apesar de grande parte deste volume estar nos Vortexes, uma parcela significativa deste lixo é levada para a costa ou digerida por animais marinhos, que acabam morrendo sufocados por esses dejetos.

É hora de dar um basta no lixo plástico! O problema já saiu de controle há muito tempo. Antes que não exista mais vida marinha nos oceanos, a sociedade precisa se conscientizar, de uma vez por todas, que NÃO, não é possível mais produzir, consumir e descartar plástico da maneira que fizemos até hoje!

No final de março, o Parlamento Europeu aprovou a proibição da comercialização e distribuição de canudos, copos, pratos e talheres descartáveis e cotonetes. Os plásticos descartáveis estarão banidos na União Europeia a partir de 2021.

Todavia, ainda ficaram fora desta lista as sacolas plásticas. Apesar de muitos países já as proibirem ou cobrarem pela sua distribuição, é necessária uma legislação mais forte e universal.

*Obrigada pela pauta, Adjane Selva!

Fotos: reprodução vídeo

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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