Mercado brasileiro de energia solar espera crescimento de 300% em 2016

paineis de energia solar

Limpa e sustentável. Bastam estes dois fatores para se ter certeza que a energia solar veio mesmo para ficar. Ela não é o futuro. Ela já é o presente em muitos países do mundo, que visionários, anteviram os benefícios e potenciais desta fonte renovável de energia.

Em alguns países, como a Costa Rica e o Uruguai (conforme mostramos aqui no Conexão Planeta), mais de 90% da demanda de eletricidade já vem de fontes renováveis, um mix entre solar, eólica, hidrelétrica e biomassa.

Aqui no Brasil, ainda estamos engatinhando neste setor. Mas especialistas apostam que ele só tende a crescer. E muito. Um levantamento inédito* feito pelo Portal Solar, plataforma brasileira com informações sobre o mercado e que reúne mais de 550 empresas que prestam esse serviço, estima que o investimento em energia solar deve aumentar cerca de 300% este ano. De acordo com o governo federal, o segmento deve movimentar R$ 100 bilhões até 2030.

Fundado em 2013, o Portal Solar já recebeu mais de 30 mil pedidos de orçamentos sobre instalação de paineis solares. O serviço é feito gratuitamente pela plataforma. A pesquisa realizada pelo site apontou que o estado de São Paulo é líder entre os interessados, com 25,8% das cotações pedidas, seguido por Minas Gerais (13,5%), Rio de Janeiro (10,4%) e Paraná (10%). “É importante notar que estes são os estados com as tarifas de energias mais altas do país”, destaca Carolina Reis, cofundadora e diretora do Portal Solar.

O levantamento revelou ainda que 75% dos orçamentos requisitados são feitos por aqueles que gastam mais de R$ 200 mensais com eletricidade e 3/4 deles têm pressa na instalação, pretendendo fazê-lo ainda em 2016. “Um dos dados mais interessantes é que 20% das cotações são feitas para casas ainda em construção. Ou seja, nada melhor do que gerar sua própria energia desde o começo”, avalia Carolina (veja o gráfico completo da pesquisa ao final deste post).

Em entrevista ao Conexão Planeta, a diretora da plataforma faz uma avaliação do cenário brasileiro, fala sobre as principais barreiras do setor e diz que é no momento de crise que mais surgem oportunidades.

Quais são as perspectivas para o mercado de energia solar no Brasil?
Hoje, são 550 empresas especializadas na instalação de sistemas de captação de energia solar por meio de placas fotovoltaicas no país, com a entrada prevista de 500 novos players no setor em 2016. No total, a capacidade instalada em 2015 é de aproximadamente 30 MW, número que deve crescer para 8.000 MW até 2024. É um mercado em franca expansão, com potencial aproveitado de 0,01% no país.

Especialistas criticam a posição tímida do governo do Brasil em relação às fontes renováveis. O governo ainda acredita que as hidrelétricas conseguirão atender a demanda do país. Mas em tempos de aquecimento global, esta não é uma posição muito arriscada?
Sim, a única razão pela qual não tivemos um “apagão” em 2015 é devido à crise do país, em que as indústrias, grandes consumidoras de energia, estão consumindo muito menos pois estão produzindo muito menos.  Com a mudança nos padrões climáticos e uma economia cada vez mais eletro intensiva, as hidrelétricas não são suficientes para abastecer o país todo. Prova disso é o uso constante das usinas termoelétricas, caras e poluentes, que estão sendo utilizadas causando a inflação desenfreada na conta de luz. O ponto chave de qualquer matriz energética é a diversificação. Precisamos de investimento em todas as fontes de energia renovável. Está faltando a solar na nossa matriz. A energia solar é a fonte de energia que mais cresce no mundo por cinco anos consecutivos. Estamos chegando atrasados neste mercado.

Quais são os principais entraves ainda para quem quer investir em energia solar no país
Financiamento é um dos principais entraves. Outros entraves são regulatórios como a burocracia desnecessária para conectar um sistema fotovoltaico na rede elétrica.

Qual é o perfil das pessoas/empresas que são pioneiras no setor?
40% dos empresários que atuam neste setor têm até 35 anos. A maioria deles são engenheiros e técnicos em elétrica. Empreendedores que já trabalharam em algum ramo relacionado à energia antes. 70% destas empresas atendem a nível regional, em um raio de até 300km. Apenas 0,5% tem atendimento nacional. Em um momento de crise, a energia solar começa a criar oportunidades regionais.

Você poderia me dar números do setor dos três últimos anos? Eles apontam crescimento?
Até o final de 2014, os números eram irrisórios. Em 2015, com a inflação da conta de luz e isenções de impostos sobre a energia solar, o mercado cresceu 300%. É esperado que o mercado cresça até 300% em 2016 e continue um crescimento acelerado pela próxima década. Veja a estimativa de crescimento feita pelo Portal Solar em MWs instalados por ano, com base na demanda e preço dos sistemas ao longo prazo, deste mercado, no gráfico abaixo.

Quais são os benefícios dados pelo governo ao brasileiro às pessoas físicas que queiram instalar um painel solar em casa?
Hoje as pessoas que instalam um sistema de energia solar em suas casas ou empresas podem, através da regulamentação da ANEEL, trocar créditos de energia com a distribuidora estadual, o que possibilita redução de até 95% na conta de luz. No futuro, o Ministério das Minas e Energia estabelecerá um sistema em que os proprietários poderão vender o excesso da produção para o sistema nacional. Desta forma, você trava o preço da sua energia para sempre e não se preocupa mais com o aumento da conta de luz. Com isso, você ajuda também a economizar água, pois está gerando a sua própria energia com a luz do sol.

gráfico sobre mercado de energia solar no Brasil

*Confira o estudo completo realizado pelo Portal Solar sobre o mercado brasileiro neste link 

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Foto: Activ Solar/Creative Commons/Flickr

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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