Menos carne e açúcar e mais vegetais: a dieta para alimentar 10 bilhões de pessoas no planeta

Menos carne e açúcar e mais vegetais: a dieta para alimentar 10 bilhões de pessoas no planeta

Garantir comida na mesa para uma população global que cresce a cada dia é um dos principais desafios da humanidade. Ao mesmo tempo, sabe-se que o setor da agricultura é um dos principais responsáveis pelas mudanças climáticas.

Um volume gigantesco de energia, terra e água é necessário para o plantio de alimentos. Além disso, à medida que aumentamos as áreas de cultivo do planeta, desmatamos mais e derrubamos milhões de florestas. Árvores no chão, que deixam de absorver o dióxido de carbono, liberado pela queima dos combustíveis fósseis na atmosfera. E assim, o círculo vicioso da produção de alimentos + desmatamento + aquecimento global roda sem parar.

Difícil achar uma solução para essa complicada equação, mas um grupo de 30 cientistas, especializados em saúde humana, ciências políticas, agricultura e sustentabilidade ambiental, decidiu tentar resolvê-la. Para tal, eles levaram em conta fatores como emissão de gases de efeito estufa, compostos em fertilizantes e o efeito à biodiversidade quando uma região é transformada em lavoura.

O resultado foi publicado em um artigo, divulgado na semana passada no jornal britânico The Lancet e que será apresentado em diversas partes do mundo ao longo das próximas semanas. A principal pergunta que o estudo Food, Planet, Health quer responder é: conseguiremos alimentar uma população de 10 bilhões de pessoas de maneira sustentável?

Depois de uma análise que levou três anos, a recomendação dos pesquisadores é por uma dieta baseada principalmente em vegetais, com consumo esporádico de carne e açúcares.

“Proporcionar à crescente população global dietas saudáveis ​​a partir de um cultivo de alimentos sustentável ​​é um desafio imediato. Embora a produção global de calorias acompanhe o crescimento populacional, mais de 820 milhões de pessoas têm alimentos insuficientes e muitas mais consomem dietas de baixa qualidade, que causam deficiências de micronutrientes e contribuem para um aumento substancial na incidência da obesidade, do diabetes e das doenças coronarianas”, alertam os cientistas no artigo.

O prato da dieta ideal deve ter 50% de vegetais: frutas, verduras ou legumes

Para o grupo, uma transformação global do sistema alimentar é uma necessidade urgente.

“A mudança para uma dieta mais saudável até 2050 exigirá uma reviravolta na maneira como nos alimentamos atualmente. O consumo global de frutas, verduras, legumes e nozes precisará dobrar e o de alimentos como a carne vermelha e o açúcar terão que ser reduzidos em 50%. Uma dieta rica, baseada em vegetais e com menos alimentos de origem animal trará benefícios não somente à nossa saúde, mas ao meio ambiente”, destaca Walter Willett, professor de saúde pública da Universidade de Harvard.

A tabela mostra que o consumo de grãos deve aumentar bastante

A recomendação do grupo de pesquisadores internacionais é de que uma prato saudável (também para o planeta) deve ter 50% de vegetais e frutas e o restante, a outra metade, caso desejado, uma pequena porção de proteína animal (de preferência, peixe ou frango).

Além dos benefícios para o meio ambiente e a qualidade de vida da população global, os cientistas calcularam ainda como o serviço público de saúde seria impactado, e consequentemente, a economia mundial, com a adoção da nova dieta. Eles estimam que a mudança para um cardápio mais colorido evitaria 11 milhões de mortes por ano, o que representa algo em torno de 19% a 24% dos óbitos atuais, entre adultos.

Imagens de como são os pratos da “dieta sustentável”

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Fotos: reprodução estudo “Food, Planet, Health”

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Um comentário em “Menos carne e açúcar e mais vegetais: a dieta para alimentar 10 bilhões de pessoas no planeta

  • 21 de janeiro de 2019 em 10:50 AM
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    O dia a dia dos veganos, felizmente, tem sido testemunhar matérias publicadas com tudo o que eles já sabiam, comprovações que eles já estão carecas de vivenciar no seu cardápio nutritivo, colorido, saboroso mas muito, muito principalmente mesmo, sem pedaços dos defuntinhos animais que não nasceram para virar almoço de humanos, ainda com pezinho na barbárie de onde provieram desmotivados e preguiçosos para progredir. É que, não se despojaram de seus hábitos truculentos, rudes e bestiais nem do gosto de vísceras e sangue em sua boca, por isso continuam apreciando, consumindo e se deleitando com os pedaços de cadáveres de animais e amando muito tudo isso. Seria cômico, não fosse trágico para os bichos, veganos flagrarem estes humanos infelizes nas lanchonetes, restaurantes ou confraternizando diante dos “incineradores”, isto é, churrasqueiras domésticas, enchendo a pança gorda com mais gordura e nacos pegajosos deles, rindo à toa, tirando sarro da própria barriga que já não cabe nas calças e fazendo piada do puxão de orelhas que levaram do cardiologista, por causa do colesterol nas estratosferas; quem se importa? Entretanto o que nós veganos estamos vendo é um número cada vez maior de famosos aderindo à Causa, seja pela própria saúde, pelo bem do Planeta ou o que deveria ser mas não é prioridade, a compaixão por qualquer espécie, além da nossa, é claro. Comprovamos celebridades internacionais arrastando seguidores para o que consideram “um achado” esse modo de viver sem crueldade, sem remorso e mais próximo do Criador de todos os seres. Até mesmo alguns glutões de carteirinha estão se bandeando para as hostes veganas porque enfartaram ou sofreram um AVC, quando placas de colesterol se prenderam às suas artérias com a mesma obstinação com que eles seguraram seus espetos de churrasco, contrariando conselhos médicos. Todos os obesos que sobreviveram às suas aberrações alimentares, extrapolando os limites do bom senso, todos os que ainda não morreram, certamente estão buscando, frenéticos, no Google, essa opção que já deveria fazer parte do seu DNA, quando nasceram, fossem mais sábios do que são. Mas para os que acham que enfartar é um risco que vale a pena e não tem nenhuma importância, quem sabe descobrir que o consumo de carne, além de todos os malefícios comprovados pela Ciência, CAUSA ENVELHECIMENTO PRECOCE, seja capaz de frear essa volúpia gustativa desenfreada que seus antepassados pré históricos deixaram de herança pra vocês. Ou seja, a não ser que vocês queiram ficar velhos antes da hora, e não aparentar a idade que têm, porque parecem ter muito mais, não mudem sua dieta nem que a vaca tussa e continuem achando todo esse blá blá blá uma conversa mole pra boi dormir.
    https://www.sejavegano.com.br
    http://veganize.com.br/medicos-veganos-norte-americanos-que-voce-precisa-conhecer/
    https://escolhaveg.com.br/blog/carne-pode-acelerar-envelhecimento/

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