Menina de 11 anos ganha prêmio de “Jovem Cientista do Ano” ao criar sensor que detecta chumbo na água

Em 2015, moradores da cidade americana de Flint, no estado em Michigan, descobriram que estavam tomando água com altas doses de chumbo. A revelação, entretanto, só veio à tona depois de meses, durante os quais a população reclamou da cor da água – marrom -, e também do cheiro e sabor estranhos.

O chumbo é um metal extremamente tóxico e provoca graves problemas de saúde, entre eles, comprometimento do coração, fígado e nervos e no desenvolvimento de crianças. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o limite para a presença do chumbo deva ser de 10 partes por bilhão para que a água possa ser ingerida sem risco.

O escândalo de Flint revelou que o governo local tinha decidido economizar custos ao utilizar a água de um rio, sem entretanto, tratá-la contra a corrosão, o que fez com que o chumbo dos canos fosse misturado à água que abastecida a cidade.

Inspirada neste caso chocante, a estudante Gitanjali Rao, do 6o ano de uma escola do Colorado, decidiu criar um teste mais rápido e fácil para que as pessoas pudessem checar se há contaminação de chumbo na água de suas casas.

Atualmente nos Estados Unidos há duas versões do teste. Uma delas caseira, vendida em lojas, em que uma fita revela a presença do metal na água. O custo dela varia entre 15 e 30 dólares. Todavia, sua eficácia não é de 100%. O outro teste disponível é através de um kit, de 10 dólares, mas que após ser utilizado, deve ser enviado para um laboratório, pagando um valor adicional que pode chegar a até 100 dólares.

Jovem cientista em ação

Depois de muitas pesquisas, Gitanjali criou uma alternativa mais barata e rápida do que as atuais. Seu dispositivo, que foi batizado de Thetys – o nome da deusa titã das Fontes das Águas Frescas, segundo a mitologia grega -, é composto de nanotubos de carbono que detectam rapidamente a presença do chumbo na água.

A jovem desenvolveu ainda um aplicativo ligado ao dispositivo, que revela no celular o resultado do teste. O preço para a produção, com todo o material incluído, foi de 20 dólares. A jovem cientista acredita que quando fabricado em larga escala, o valor cairá consideravelmente.

Simples e barato: em poucos minutos, o dispositivo aponta a presença ou não do chumbo na água

Primeiramente, Gitanjali inscreveu sua ideia no The Discovery Education 3M Young Scientist Challenge, concurso para jovens cientistas de escolas do Ensino Fundamental II dos Estados Unidos. Ao ser uma das dez escolhidas, ganhou uma mentoria de três meses ao lado de uma pesquisadora. Neste período, ela conseguiu transformar seu protótipo de papelão em um dispositivo real feito em impressora 3D.

Entre os finalistas do país todo, selecionados para participar da mentoria, Gitanjali foi a grande vencedora.

Como prêmio pelo desenvolvimento do Thetys, a estudante recebeu 25 mil dólares. A ideia da menina agora é fazer com o protótipo possa ser comercializado já no ano que vem.

Gitanjali recebendo 25 mil dólares por sua invenção

Perguntada sobre o que sonha fazer em 15 anos, a estudante americana respondeu. “Geneticista ou epidemiologista. Acho que eu vou gostar de trabalhar na área de moléstias e algum dia, encontrar a cura para doenças que causam tanta dor”.

Alguém tem alguma dúvida de que ela vai conseguir?

Fotos: divulgação Young Cientists Challenge

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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