Medalhas olímpicas de 2020 podem ser feitas de celulares descartados

Medalhas olímpicas de 2020 podem ser feitas de celulares descartados

O lixo eletrônico já é uma das maiores fontes de dores de cabeça de grupos ambientais hoje. Tanto que as Nações Unidas o descrevem como “um dos fluxos de resíduos que cresce mais rapidamente no mundo”. Pasme: só no Japão, 650 mil toneladas de aparelhos eletrônicos são descartadas todos os anos. Menos de 15% desse total é reciclado. Estes números alarmantes, divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente japonês, chamaram a atenção dos organizadores das Olimpíadas de Tóquio 2020.

Eles concluíram, em conversa que reuniu oficiais do governo, empresários e ONGs de reciclagem, que tal volume de e-lixo poderia ser reaproveitado para produzir as medalhas de ouro, prata e bronze dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Seria uma forma de ajudar a solucionar duas questões e, de quebra, aproveitar a visibilidade das Olimpíadas para impactar pessoas do mundo todo com a ação.

Muito além das medalhas feitas de metais reciclados, a esperança é divulgar a importância da reciclagem e chamar a atenção para o crescente volume de lixo eletrônico no mundo. Muitos dos metais que são recuperados de gadgets jogados no lixo podem ser reaproveitados na fabricação de novos aparelhos eletrônicos. Já contamos aqui no Conexão Planeta sobre como a reutilização das baterias de smartphones pode ajudar a iluminar locais sem eletricidade, por exemplo.

Medalhas olímpicas de 2020 podem ser feitas de celulares descartados

Embora o Japão seja considerado pobre em recursos naturais, o país é também uma das maiores “minas urbanas”, composta por milhões de smartphones descartados e outros pequenos aparelhos eletrônicos. Estima-se que contenha 16% do total das reservas de ouro do mundo e 22% da de prata, quantidades estas que ultrapassam as reservas de qualquer outra nação e vem bem a calhar nos Jogos. Isso porque, geralmente, as cidades que recebem as Olimpíadas procuram por empresas mineradoras e pedem doações de metais para as medalhas.

A ideia de produzir medalhas olímpicas a partir de resíduos reciclados não é nova. Inclusive, as Olimpíadas do Rio de Janeiro, no mês passado, contaram com 30% de material reciclado em sua composição. Porém, inovadora ou não, a iniciativa é muito bem-vinda. Que venham mais boas histórias de reciclagem como esta!

Fotos: Francisco Medeiros/Ministério do Esporte e Domínio Público

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

Marina Maciel

Jornalista, Marina escreve sobre meio ambiente para diversas publicações brasileiras desde 2011. Já colaborou para veículos como Superinteressante, Exame, VEJA, VEJA SP, M de Mulher, Casa Claudia, VIP, Cosmopolitan Brasil, Brasil Post, National Geographic Brasil, INFO e Planeta Sustentável.

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