Mata Atlântica registra menor índice de desmatamento em mais de 30 anos

Mata Atlântica registra menor índice de desmatamento em mais de 30 anos

Em meio a tantas más notícias na área ambiental, enfim a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) trazem algo para ser celebrado pelos brasileiros: nove dos 17 estados da Mata Atlântica estão no nível do desmatamento zero.

O estudo Atlas da Mata Atlântica, divulgado ontem (23/05), revela que o desmatamento do bioma, entre 2017 e 2018, caiu 9,3% em relação ao período anterior (2016-2017), que por sua vez, já tinha sido o menor até então registrado pelo levantamento desde 1985, como mostramos neste outro post.  

Os nove estados com o chamado desmatamento zero, ou seja, com desflorestamentos abaixo de 100 hectares ou 1 Km² são:

– Ceará (7 ha)
– Alagoas (8 ha)
– Rio Grande do Norte (13 ha)
– Rio de Janeiro (18 ha)
– Espírito Santo (19 ha)
– Paraíba (33 ha)
– Pernambuco (90 ha)
– São Paulo (96 ha)
– Sergipe (98 ha)

Segundo o estudo, outros três estados estão a caminho do desmatamento zero: Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Goiás.

“Esses dados comprovam como o acompanhamento da sociedade civil e investimentos dos governos no cumprimento da Lei da Mata Atlântica, por meio dos órgãos de conservação, fiscalização e controle, trazem resultados concretos. Este tipo de ação precisa ter continuidade”, ressalta Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica.

Apesar da boa notícia, o levantamento aponta que alguns estados ainda apresentam índices inaceitáveis de destruição da vegetação, como Minas Gerais (3.379 ha), Paraná (2.049 ha), Piauí (2.100 ha), Bahia (1.985 ha) e Santa Catarina (905 ha).

A Mata Atlântica é considerada um hotspot mundial da biodiversidade: uma das áreas mais ricas em diversidade biológica – são mais de 15 mil espécies de plantas e mais de 2 mil de animais vertebrados, sem contar insetos e outros animais invertebrados.

Originalmente o bioma abrangia 1.315.460 km2. De acordo com o atlas, restam 16,2 milhões de hectares de florestas nativas mais preservadas acima de 3 hectares na Mata Atlântica, o equivalente a 12,4% da área que os portugueses encontraram quando chegaram ao Brasil.


*O Atlas da Mata Atlântica fundamenta-se na identificação de remanescentes florestais em estágios primário, médio e avançado de regeneração com ao menos 3 hectares de área contínua bem preservada, que são essenciais à conservação da biodiversidade no longo prazo. Sendo assim, florestas nativas menores de 3 hectares, áreas muito alteradas, ou em regeneração, e pequenas manchas, especialmente no espaço urbano, não são contabilizadas. Esta área mínima de 3 hectares também justifica-se pela necessidade de manter a compatibilidade com os dados históricos que permitem a comparação e monitoramento das alterações dos fragmentos florestais ao longo do tempo

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Foto: divulgação SOS Mata Atlântica

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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