Marielle inesquecível: depois de batizar espaço em estação de trem famosa de Paris, a ativista terá seu nome em rua de Lisboa

Hoje, Marielle Franco completaria 40 anos. Teria tanto para celebrar, tanta vida para compartilhar. Mas está morta. E não podemos esquecer disso.

O designer Gladson Targa é autor da imagem linda que ilustra este post e pela qual me apaixonei hoje cedo, em seu Instagram. Ele a criou para divulgar este dia em suas redes sociais, pra lembrar os amigos e seguidores que a gente não pode nunca esquecer de quem foi Marielle. E que continua viva dentro de cada brasileiro que acredita nas causas que ela defendia e ama a vida como ela.

Faz 500 dias que a vereadora e ativista carioca foi brutalmente assassinada o motorista Anderson Gomes também morreu; sua assessora sobreviveu – e o caso continua no ar. Dois suspeitos foram presos dois dias antes de o crime completar um ano: o PM reformado Ronnie Lessa, autor dos disparos, e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, que dirigia o carro onde estavam. Só em junho, ambos prestaram depoimento à Justiça e continuam presos, mas não se sabe nada a respeito do mandante.

Marielle era uma das pessoas mais combativas da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj): lutava pela dignidade da população das favelas e das áreas pobres da cidade. Também era feminista e lésbica. Lutava também pelos direitos humanos dos policiais. Foi eliminada em 14 de março de 2018 por causa de suas ideias e ações, por ser quem era. Incomodava. Mas seu espirito e o fruto de tudo que realizou continuam presentes na memória e no coração de brasileiros e estrangeiros que se identificam com os valores que ela defendia, pela humanidade, em qualquer lugar do planeta.

No ano passado, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, propôs a criação de um espaço na cidade para homenagea-la. Em 1o. de abril, o Conselho Municipal da capital francesa aprovou o projeto – apresentado pelo coletivo Rede Europeia para a Democracia no Brasil (RED-BR)por unanimidade e, pouco mais de quinze dias depois, o local já havia sido escolhido: fica na Gare de lÉst, uma das principais estações de trem da cidade. A inauguração do espaço está marcada para 21 setembro.

Agora, é Portugal quem não deixa o mundo esquecer Marielle. Esta semana, em 25/7, a Câmara Municipal de Lisboa aprovou o projeto que propõe o batismo de uma rua da cidade com seu nome. Na ocasião, o vereador Manuel Grilo, autor da proposta, destacou o trabalho lindo desenvolvido pela ativista, que corrobora a votação da Câmara. “Temos a honra de poder homenagear Marielle Franco, vereadora que foi brutalmente assassinada no Rio de Janeiro em 2018. A sua memória perdurará também em Lisboa, porque as causas pelas quais lutava são as nossas”.

No mesmo dia, em nota divulgada por seu gabinete, Grilo exaltou os feitos da vereadora carioca: “Marielle Franco empenhou-se na luta pelos direitos humanos, especialmente em defesa dos direitos das mulheres negras e dos moradores de favelas e periferias, e na denúncia da violência policial“. O texto ainda lembra que ela foi “a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro, nas eleições de 2016, com mais de 46 mil votos na sua primeira disputa eleitoral”.

A proposta foi apresentada pelo bloco da esquerda, o que não impediu que fosse aprovada por unanimidade, ou seja, pelos partidos de direita também. Afinal, direitos humanos não têm nada a ver com ideologia: são para todos. Agora, uma comissão especial analisará a proposta para, em seguida, indicar ruas possíveis para realizar a homenagem. Caberá à prefeitura de Lisboa escolher a via que receberá o nome de Marielle.

E no Brasil? No Rio de Janeiro, cidade onde ela vivia, mas que está dominada pelas milícias, talvez não seja possível. Mas qualquer outra cidade do país poderia liderar um movimento parecido e se unir aos estrangeiros que se alinham com o pensamento de Marielle Franco e querem justiça.

Ilustração: Gladson Targa

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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