Mariana Ximenes faz campanha para que não esqueçamos a tragédia de Mariana

Mariana Ximenez faz campanha para que não esqueçamos a tragédia de Mariana

Em poucos minutos tudo foi destruído. Dezenove pessoas estavam mortas, o vale do Rio Doce sem vida e o pequeno vilarejo de Bento Rodrigues em ruínas, sob a lama.

A maior tragédia ambiental do Brasil aconteceu no dia 5 de novembro de 2015,  quando houve o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, que despejou um mar de resíduos tóxicos na bacia do Rio Doce, próximo à Mariana, em Minas Gerais.

Nenhuma sirene de alerta foi soada. Os moradores simplesmente viram uma mar de lama chegando em sua direção e carregando tudo pela frente.

Pois dois anos e quatro meses depois do desastre, os criminosos ainda não foram condenados e as vítimas continuam sem moradia. E para que os brasileiros não esqueçam do que aconteceu, a atriz Mariana Ximenes estrelou a campanha #NãoEsqueçaMariana.

No vídeo, gravado nas ruínas do que sobrou de Bento Rodrigues, e que você assiste ao final deste post, a atriz aparece como se estivesse fazendo um editorial de moda, mas mostrando a destruição do local. “A gente fala muito dessa Mariana. Também devia falar dessa outra”, destaca a campanha. É uma crítica clara a como a mídia dá mais valor à vida das celebridades e deixa para trás o que realmente deveria cobrir.

Em sua página no Facebook, Mariana escreveu “A cidade de Mariana não é mais notícia. Já se foram dois anos da maior tragédia ambiental do Brasil e quase nada foi feito. Fui até Bento Rodrigues, distrito devastado da cidade. Vi a as casas, as ruas, o bar, a escola. Testemunhei a ação do tempo numa cidade fantasma. Mariana não pode cair no esquecimento. Nós não podemos deixar. Convoco minhas xarás … e todas as outras Marianas do mundo. Não vamos deixar nosso nome virar sinônimo de impunidade. Mais de dois anos depois da maior tragédia ambiental do Brasil, pouco foi feito. O processo foi suspenso na Justiça. Só 1% das multas foi pago. As vítimas ainda não receberam suas novas casas. E os causadores da calamidade que devastou Bento Rodrigues, em Mariana, continuam rumo à impunidade”.

Mostramos aqui, esta semana, como em uma nova denúncia publicada pelo jornal britânico The Guardian, o procurador da República José Adércio Leite Sampaio, coordenador da força-tarefa criada pelo Ministério Público Federal (MPF) para investigar o caso do desastre ambiental, afirmou que seis meses antes do colapso da barragem, a Samarco recebeu uma avaliação de risco sobre os impactos do possível acidente.

Mas segundo Sampaio, mesmo tendo conhecimento da tragédia iminente, a companhia, fruto da sociedade de duas gigantes do setor petrolífero – a brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton -, não fez nada. Pelo contrário, aumentou o ritmo da produção e decidiu cortar custos.

“Eles priorizaram lucros e deixaram a segurança em segundo lugar”, diz o procurador em seu parecer sobre o caso (leia mais aqui).

Dois anos depois da tragédia, o minério da Samarco ainda contamina a água do Espírito Santo, da Bahia e do Rio de Janeiro.

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Foto: divulgação #NãoEsqueçaMariana

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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