Maré vermelha no Chile começa a retroceder com a chegada do inverno

maré vermelha no Chile

*Por Marli Kuhnen, de Santiago

A maré vermelha que está atingindo o Sul do Chile tem proporções desastrosas do ponto de vista ambiental e já é considerada a maior ocorrência deste tipo no país.  Apesar da maré vermelha ser um fenômeno que ocorre naturalmente devido ao aumento da temperatura no verão,  o aquecimento global associado com a manifestação do El Niño neste ano, potencializou o evento a níveis catastróficos.

O episódio causado pela excessiva floração de algas de coloração vermelha, amarela e marrom deixou o mar “tingido” de manchas avermelhadas e vem afetando o sul do país desde o início do ano, o que já  provocou a morte de milhões de peixes e a contaminação de moluscos, cuja extração e consumo estão proibidos  pelo governo.

Até 1972, o fenômeno passava praticamente despercebido, pois seus efeitos eram inócuos. Contudo, nos últimos anos tem ocorrido com mais frequência e atingindo maiores extensões,  hoje ocupando o território da região dos Lagos.

A economia de produtos marinhos  é a principal fonte de renda local e a maré vermelha, além de causar o desequilíbrio ambiental,  tem forte impacto socioeconômico.  A população da região, composta de pescadores e comerciantes, vem respondendo com vários protestos, pedindo mais ajuda governamental para suas famílias, que ficaram de uma hora para outra sem nenhum tipo de remuneração com a interrupção do comércio.

As microalgas presentes na maré vermelha existem em toda a borda costeira e vivem nas profundezas marítimas em estado de dormência. A floração é ativada com o aumento das temperaturas das mares, que também acidificam as águas, tornando o ambiente propício para a potencialização do fenômeno e o descompasso ambiental. O descarte de esgotos nos mares, modificando a quantidade de sais minerais nos oceanos, também contribui para a manifestação  das chamadas Florações de Algas Nocivas (FAN).

Algumas florações não são tóxicas, mas reduzem a quantidade de oxigênio nas águas, o que também leva os animais à morte. Todavia, algumas microalgas apresentam elementos tóxicos e produzem bactérias que causam infecções intestinais, como as que estão presentes hoje nas algas chilenas (Alexandrium catenella), que podem ainda causar paralisia muscular, podendo provocar paradas respiratórias e cardíacas.

Contudo, com a proximidade do inverno, o fenômeno está perdendo força. Segundo amostras colhidas na região de “Los Rios”, pela Seremi (Secretaria Regional Ministerial de Saúde), cujos dados foram divulgados no último dia 07 de junho, os níveis de toxidade estão baixando. Em algumas zonas já não foram encontradas bactérias nocivas, porém o consumo de moluscos permanece proibido.

Na última semana, o governo divulgou uma nota incentivando o consumo de produtos marinhos provenientes de locais autorizados, pois o alerta da maré vermelha provocou uma onda de medo entre a população, que tem evitado consumir quaisquer espécies de peixes e frutos do mar. O governo garante que tem mapeado os locais contaminados e que é seguro comer peixes e moluscos vindos de outras localidades.

Na ocasião, o subsecretário de Saúde Pública, Jaime Burrows, disse que “os níveis de toxidade (da maré vermelha) estão baixando, o que está permitindo abrir progressivamente mais lugares para a extração (de moluscos). Ele também afirmou que espera que o problema melhore à medida que as condições climáticas se modifiquem.

Ou seja, o governo aposta no inverno para resolver o problema, porém será apenas uma solução momentânea. Se não forem tratados os problemas com medidas globais factíveis, a reincidência do fenômeno, não apenas no Chile, mas no mundo já é considerada certa e constante, cada vez englobando uma área maior, com consequências cada vez mais difíceis de solucionar.

maré vermelha no Chile

Governo chileno proibiu o consumo de frutos do mar da região afetada

maré vermelha no Chile

Maré vermelha no Chile provocou a morte de milhões de peixes e a contaminação de moluscos

Fotos: CEB Imagery (abre), Jaime Loyd (praia) e Dan Century (peixe morto)/Creative Commons/Flickr

 

Jornalista formada pela Cásper Líbero, em São Paulo, e jardinista formada pela Natureza. Tem uma empresa de jardinagem e meio ambiente no interior de P. Além disso, escreve o Blog Jardim Sustentável. Atualmente mora em Santiago, no Chile, de onde colabora para o Conexão Planeta.

Marli Kuhnen

Jornalista formada pela Cásper Líbero, em São Paulo, e jardinista formada pela Natureza. Tem uma empresa de jardinagem e meio ambiente no interior de P. Além disso, escreve o Blog Jardim Sustentável. Atualmente mora em Santiago, no Chile, de onde colabora para o Conexão Planeta.

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