Marca de roupas Patagonia processa Trump por reduzir reservas de proteção ambiental e cultural

Na última segunda-feira (11/12), a adminstração do governo do presidente americano Donald Trump anunciou que vai reduzir as áreas de proteção de dois monumentos nacionais: em 85% a de Bears Ears e em quase 50% a de Grand Staircase-Escalante, ambos localizados no estado de Utah, na costa oeste do país. A redução total chega a quase 1 milhão de hectares de terras protegidas, a maior reversão federal deste tipo já feita na história dos Estados Unidos.

Foram dois presidentes democratas os responsáveis por transformar as áreas em monumentos nacionais. Barack Obama determinou que Bears Ears se tornasse um em 2016 e Bill Clinton agiu em prol de Grand Staircase-Escalante em 1996.

Nos Estados Unidos, os chamados “monumentos nacionais” são terras públicas protegidas por lei contra o avanço do desenvolvimento, ou seja, contra a destruição provocada pela ambição do progresso desenfreado. A diferença entre monumentos e parques nacionais é que os primeiros são criados por presidentes e os segundos por aprovação do congresso americano.

A região histórica de Bears Ears e Grand Staircase-Escalante é lar de cinco etnias indígenas: Navajos, Hopis, Ute Mountain Utes, Ute Indian Tribe of the Uintah e Ouray Reservation e os Zunis. Repleta de canyons e habitat de algumas espécies ameaçadas de extinção, estão preservados ali também milhares de sítios arqueológicos, com artefatos dos índios nativos americanos e ainda, fósseis de dinossauros.

Ao anunciar sua decisão, Trump afirmou que “a área não tem interesse científico ou cultural significativos” e que “os recursos naturais de Utah não deveriam ser controlados por um bando de burocratas de Washington”.

Mas lógico, por trás da explicação sem qualquer fundo de verdade, o objetivo do presidente americano é abrir os monumentos para a exploração de óleo e gás natural, mineração, extração madeireira, além de outras atividades comerciais.

Até a última quarta-feira (06/12), quatro ações judiciais já tinham sido perpetradas contra a decisão do governo americano, entre elas, uma feita pela marca de roupas esportivas Patagonia.

A empresa é um exemplo de sustentabilidade (em todos os sentidos) e diariamente destina 1% de suas vendas globais para instituições ambientais: em 2015, foram doados US$ 7,1 milhões (leia mais aqui).

Em sua página na internet, a Patagonia colocou um fundo preto, com letras garrafais em que diz “O Presidente roubou suas terras”. E acrescenta: “Em um ato ilegal, o presidente diminuiu o tamanho dos Monumentos Nacionais de Bears Ears e Grand Staircase-Escalante. Esta é a maior exclusão de terras protegidas da história americana”.

Muitas das entidades que estão processando o governo federal afirmam que a presidência não pode tomar uma medida como esta. É ilegal! Infelizmente, os americanos são obrigados a conviver diariamente com a insensatez e a ignorância de um presidente que não tem o mínimo respeito com o meio ambiente, seus cidadãos e a história de seu país.

Imagens: divulgação Patagonia

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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