Marca brasileira transforma borra de café em biojoias e objetos de decoração

Marca brasileira transforma borras de café em (bio)joias e objetos de decoração

O café só perde para a água, no quesito paixão mundial. Ele é a segunda bebida mais consumida no planeta. Mas sua produção gera um resíduo que acaba sendo descartado. Apesar de orgânica e compostável, a borra de café é invariavelmente jogado no lixo. E imagine só, a quantidade de café tomada pela população global e o volume de borra que é desperdiçado.

Desperdiçado sim, pois afinal, ele é uma matéria-prima excelente. Pelo menos para a brasileira Recoffee, que produz (bio)joias (semijoias com componente biológico, neste caso, a borra de café), objetos de decoração e revestimentos para paredes.

A startup nasceu há pouco mais de um ano. A ideia original é da designer Ana Paula Nacarato, que ainda na faculdade, se empenhou no desafio de unir design e sustentabilidade. Foi enquanto estudava que descobriu que a borra de café, adicionada a aglutinantes naturais, poderia ser usada como matéria-prima para a fabricação de diversos e – bacanérrimos – objetos.

Depois de formada, Ana Paulo encontrou o amigo e administrador Rafael Guimarães e o biólogo Sérgio Camargo, que se uniram para fundar a Recoffee, que tem seu ateliê em Ribeirão Preto.

“As iniciativas da nova economia e do upcycling têm tudo para dar certo. É um caminho sem volta”, afirma Camargo, em entrevista ao Conexão Planeta.

Segundo o empreendedor, atualmente 99,9% dos estabelecimentos comerciais que trabalham com café jogam a borra fora. Para produzir suas peças, a Recoffee fechou parcerias com cafeterias de Ribeirão Preto, que doam o resíduo.

Ana Paula, à esquerda, trabalhando no ateliê em Ribeirão Preto

A marca possui coleções de biojoias com design inspirado na natureza – Cafezal, Carimbó, Favo e Oceano são alguns dos nomes -, além de itens de decoração como luminárias, relógios, bandejas, vasos e revestimentos.

O material obtido a partir da borra do café é resistente à água e ao calor. “Pode ser lavado normalmente e é um ótimo isolante térmico”, explica Sérgio. “Fizemos xícaras e mesmo sem asa, o calor da bebida não a esquentava”.

Relógio feito com borra de café

 

Outra vantagem da transformação da borra em matéria-prima é que foi desenvolvido um processo a frio, ou seja, não há consumo de energia. São elaborados moldes para cada peça, que depois de resfriados por algumas horas, endurecem.

A Recoffee já patenteou o processo de fabricação, mas Sérgio revela que constantemente eles fazem novas pesquisas. “Estamos estudando a substituição da resina vegetal que usamos atualmente por uma feita com plástico reciclado”.

Por que a mudança? Para tornar os produtos ainda mais sustentáveis e fechar o ciclo da economia circular, conceito que prega que a  produção de bens deve estar baseada na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia.

“As marcas também precisam ter um papel educativo e de conscientização na sociedade, isso é muito importante”, diz Sérgio.

A biojoia da Recoffee

 

 

Pergunto como tem sido a aceitação dos produtos neste primeiro ano de vida da startup. “A reação das pessoas é de enorme surpresa”, conta. “Nunca esperam que um produto bacana assim venha da borra de café”.

Para o sócio da empresa, um dos diferenciais da Recoffee é o design. “Não basta somente ter o conceito da sustentabilidade. Beleza e estética também contam”, destaca.

Atualmente a venda das peças é realizada no showroom, em Ribeirão Preto, em algumas lojas em Campinas e pelo site. Mas já há conversas com interessados em parcerias em Curitiba, Recife e Rio de Janeiro.

Tomara que dê certo! Vida longa à Recoffee!

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Fotos: divulgação Recoffee

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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