Mapa global revela que Brasil tem bioma com espécies à beira da extinção, mas também refúgios de vida selvagem intocada

Espécies ameaçadas no Brasil

Mais de 1.200 espécies do planeta estão seriamente ameaçadas e têm grande chance de desaparecer. A constatação foi feita por um grupo de cientistas da Universidade de Queensland, na Austrália, em parceria com a Wildlife Conservation Society, que elaborou um mapa global em que mostra os chamados “hotspots e coolspots” da conservação, ou seja, os locais onde os animais correm os maiores riscos de extinção e aqueles onde ainda estão protegidos.

Em artigo divulgado na publicação Plos Biology, os pesquisadores apontaram ameaças contra 5.457 espécies de aves, anfíbios e mamíferos. “Praticamente 1/4 das espécies avaliadas está ameaçada em quase 90% de sua distribuição. Pior ainda é que 395 delas são afetadas em todo o seu alcance e quase certamente irão enfrentar a extinção se nada for feito”, afirmou James Allan, um dos autores do estudo.

O mapa analisou ameaças específicas no habitat das espécies escolhidas: agricultura, urbanização, luz noturna, estradas, ferrovias, hidrovias e densidade populacional.

O resultado da análise indicou que os mamíferos são os que sofrem o maior impacto, entre eles, leões e elefantes.

Entre os biomas que apresentam as mais graves ameaças estão mangues e florestas subtropicais e tropicais do Sudoeste Asiático – Malásia, Indonésia, Índia, Tailândia – e… da região Sudeste do Brasil, ou seja, a Mata Atlântica.

No mapa acima é possível ver o sinal de alerta, em vermelho,
no sudeste brasileiro

Mas pelo menos há uma boa notícia. Nosso país também possui um “coolspot”, área onde a vida selvagem ainda está protegida. Este lugar é a Floresta Amazônica. Outras regiões que ainda conseguem preservar seus refúgios animais são as montanhas andinas, Libéria (África), Nepal, Butão e Mianmar.

“É óbvio que a grande maioria das espécies ameaçadas que ainda não está extinta será, se não tomarmos medidas preventivas. Ainda temos tempo para nos ajustar e melhorar, mas precisamos usar os resultados deste estudo para nos concentrar em salvar as áreas que são fortalezas para essas espécies”, alertou James Watson, da Wildlife Conservation Society.

O gráfico acima revela as principais ameaças à sobrevivência
da vida selvagem: agricultura, rodovias e áreas de pastagem

Foto: Giovanni Mari/Wikimedia Commons

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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