Na COP24, manifestantes interrompem com gargalhadas apresentação dos EUA que defende carvão e petróleo


Manifestantes interrompem com gargalhadas apresentação dos EUA que defende carvão e petróleo, na COP24

No único painel realizado pelo governo americano durante a Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, COP24, que acontece em Katowice, na Polônia, os representantes de Donald Trump decidiram defender a exploração de fontes de energia poluentes – e pra lá de ultrapassadas -, que o resto do mundo tenta deixar pra trás em favor da sobrevivência de uma vida sustentável no planeta.

Pois bem, ao falar sobre a expansão da indústria de carvão e petróleo, figurões de Washington D.C., como Wells Griffiths, conselheiro de Trump na área de Energias Globais e Clima, Steve Winberg, secretário do Departamento de Energia, e Rich Powell, diretor de uma ONG em prol de energias limpas (sério mesmo?!), foram interrompidos por manifestantes que começaram a gargalhar no meio da reunião.

Depois de alguns instantes gritaram um “Isso não é engraçado”, para logo em seguida, invadirem o palco com cartazes e entoando as frases “Vergonha de vocês!” e “Deixe (os combustíveis) no solo!”.

Os protestantes também leram um documento em que destacaram que não existe exploração de carvão limpa.

Após seguranças acabarem retirando os ativistas da reunião, Griffiths ainda tentou argumentar que a exploração de combustíveis fósseis feita nos Estados Unidos é eficiente e limpa. Em momento algum, os palestrantes citaram a questão das mudanças climáticas e o aquecimento global. Vale lembrar que todos os especialistas em clima são unânimes em apontar a queima de combustíveis fósseis como sendo a principal responsável pelo aumento da temperatura da superfície da Terra.

O governo de Donald Trump está se aliando à Rússia e também, à Arábia Saudita, para dificultar as negociações da COP24. Os países que querem continuar investindo em petróleo se negam a aceitar as evidências apresentadas pelo parecer do último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).

“Limitar o aquecimento global a 1,5oC requer mudanças urgentes e sem precedentes em todos os aspectos da sociedade, com benefícios claros para as pessoas e os ecossistemas naturais”, alertaram os cientistas do clima, conforme mostramos aqui, neste outro post.

*Com informações do jornal The Guardian 

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Foto: reprodução Twitter Avery Lamb

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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