Mancha de óleo chega à região de Abrolhos, maior banco de biodiversidade marinha do Atlântico Sul

Mancha de óleo chegou a Abrolhos, maior banco de biodiversidade marinha do Atlântico Sul

*Atualizado em 04/11/19
Apesar de o governo federal ter negado os primeiros indícios da chegada do óleo a Abrolhos, na sexta-feira (01/11), o Ibama, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) e a Marinha confirmaram que foram encontrados vestígios de petróleo no parque nacional marinho, ao sul da Bahia. Pequenos fragmentos da substância foram recolhido em Ponta da Baleia, no município de Caravelas, e também na Ilha de Santa Bárbara.
Abaixo segue o texto original da reportagem.

———————————————————————————-

Infelizmente, aumentou ainda mais o impacto de um dos maiores desastres ambientes que o Brasil já teve. De acordo com a organização Conservação Internacional – Brasil, a mancha de óleo que atinge o litoral nordestino chegou à região do arquipélago de Abrolhos.

Foi com tristeza que esta semana registramos a chegada das primeiras manchas de óleo na região dos Abrolhos. O monitoramento costeiro confirmou a presença de petróleo nas praias da Reserva Extrativista de Canavieiras, em Belmonte e em Santa Cruz de Cabrália, no Sul Bahia.

Ainda mais preocupante foi a identificação de óleo no mar, por meio de um esforço realizado com embarcações de pesca. Uma mancha de cerca de 40 kg foi recolhida por pescadores que estão num esforço concentrado de “pescar óleo” com redes, em alto mar.

Apesar de parecer pouco, considerando que a mancha estava em alto mar e não se sabia sua localização, é provável que haja muitas outras na mesma área que seguem em direção aos recifes com os ventos e correntes predominantes vindo do Nordeste“, informou, em nota, a ONG.

A boa notícia, segundo a Conservação Internacional, é que os pescadores conseguiram capturar e retirar óleo do mar com redes de pesca. “Todavia, será necessário um esforço considerável para que isso tenha resultados, requerendo investimentos em equipamentos e logística. Estamos buscando meios para organizar e viabilizar estas ações. Da mesma forma nossa equipe de Caravelas está em campo levando Equipamentos de Proteção Individual para remoção de óleo por voluntários nas comunidades mais atingidas, em especial Belmonte e Santa Cruz de Cabrália”, afirmou a entidade.

O arquipélago de Abrolhos, composto por cinco ilhas, é um parque nacional marinho, situado no sul da Bahia. Algumas espécies de corais são endêmicas dali, ou seja, só existem lá e em nenhum outro lugar do planeta. Além disso, ele possui a maior formação de recifes e o maior banco de biodiversidade marinha do Atlântico Sul.

Abrolhos abriga algumas das principais áreas-berçário de baleias jubarte, que migram para o local para se reproduzir.

Tartarugas marinhas ameaçadas de extinção, como as de couro, cabeçuda, verde e de pente, também se refugiam no parque, assim como aves como a grazina e os atobás. Estima-se que o arquipélago seja habitat de aproximadamente 1.300 espécies.

“A chegada do óleo aos recifes e manguezais de Abrolhos, representa uma enorme ameaça à conservação marinha no Brasil… Além do risco à biodiversidade, os impactos socioeconômicos para mais de 20 mil pessoas que dependem da pesca e outras 80 mil que dependem do turismo são muito preocupantes. Se uma resposta urgente e coordenada entre os diversos atores da sociedade e do governo, não for dada imediatamente, os impactos em Abrolhos poderão ser ainda mais severos”, alertou ainda a Conservação Internacional.

Mancha de óleo chegou a Abrolhos, maior banco de biodiversidade marinha do Atlântico Sul

O derramamento de petróleo que não se sabe, até agora, de onde veio, já contaminou milhares e milhares de quilômetros da costa brasileira.

Segundo o mais recente levantamento, divulgado em 03/11, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama), já são 321 praias afetadas pelas manchas de petróleo cru, em 125 municípios, dos nove estados do Nordeste.

*Em nota divulgada hoje, a Petrobras informou que, “em sobrevoo realizado no fim da manhã (30/10), em helicóptero da empresa, com representantes do Ibama, da Marinha e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), não foi identificada nenhuma mancha de óleo no entorno de Abrolhos.

O Conexão Planeta esclarece que a informação da Conservação Internacional – Brasil dá conta de descoberta de resíduos de óleo nos municípios próximos a Abrolhos, por isso mesmo, no título e no texto dessa reportagem falamos em “região de Abrolhos”.

Leia também:
Pesca de camarão e lagosta está proibida, até 31 de dezembro, nas regiões afetadas pelo óleo no Nordeste
Óleo é encontrado em corais e sedimentos a 3 metros de profundidade no Rio Grande do Norte
Organizações repudiam declaração de Ricardo Salles de que Greenpeace estaria por trás de vazamento de óleo no Brasil
Nas redes sociais, artistas cobram ações do governo para conter manchas de óleo no litoral nordestino

Foto: divulgação/Projeto Baleia Jubarte

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

2 comentários em “Mancha de óleo chega à região de Abrolhos, maior banco de biodiversidade marinha do Atlântico Sul

  • 30 de outubro de 2019 em 3:46 PM
    Permalink

    Será coincidência os ” vazamentos misteriosos” e os interesses obscuros do governo, divulgado nas matérias do Intercept ? Nas queimadas da Amazônia em que havia uma lista de fenômenos naturais e outros inocentes. No final verificou-se que mãos humanas agiram propositalmente. Coisas estranhas estão ocorrendo ultimamente, né ?

    Resposta
    • 31 de outubro de 2019 em 3:08 PM
      Permalink

      Concordo com vc e estou a pensar sobre isso há dias.

      Resposta

Deixe uma resposta