Alcateia de lobos selvagens aparece na Dinamarca após 200 anos

Manada de lobos selvagem aparece na Dinamarca após 200 anos

Depois de percorrer 500 km, da Alemanha até a região de Jutland, na Dinamarca, uma loba juntou-se a dois machos e deve ter seus primeiros filhotes ainda este ano. A notícia foi divulgada por pesquisadores do departamento de Biociências da Aarhus University, depois de terem sido analisadas amostras de DNA de fezes dos animais e imagens em vídeos. “Não é certeza ainda, mas acreditamos que ela deverá ter filhotes até o final do ano”, comemorou Peter Sunde, um dos cientistas da universidade.

Nas primeiras décadas de 1800, lobos selvagens foram exterminados na Dinamarca e em outros países da Europa. Tidos como ameaça para a criação de animais, foram mortos.

Mas em 2012, lobos machos foram vistos em terras dinamarquesas. Agora a esperança dos cientistas é que eles voltem a habitar as florestas do país. A época de procriação da espécie é no mês de maio, primavera no Hemisfério Norte.

Os cientistas acreditam que os lobos conseguirão se adaptar e voltar a viver na região porque há grande quantidade de veados na área, presas mais comuns dos lobos. “Uma vez que tenham filhotes, estes animais permanecem no mesmo lugar”, explica Sunde.

Nos últimos anos, lobos voltaram a ser observados na Europa e parecem estar aumentando sua população gradativamente. Fala-se em algo como 12 mil indivíduos na Europa continental. Em florestas da França, Holanda, Bélgica e Finlândia, eles têm sido vistos com cada vez maior frequência. Na Alemanha, estima-se que seu número cresce de 25% a 30% a cada ano. E assim como a loba que agora está na Dinamarca, a espécie viaja longas distâncias. Pode percorrer 50 km por dia.

“O lobo é um predador de cervos. Se este animal estiver presente na região, não há porque não ter lobos”, afirmou Guillaume Chapron, pesquisador da Swedish University of Agricultural Sciences, em entrevista ao jornal The Guardian. “Enquanto não os perturbarmos, eles ficarão bem nestas paisagens dominadas pelo homem. Na Dinamarca, não há razão para que os lobos não possam prosperar. Mas uma pergunta deve ser feita: as pessoas vão aceitar os lobos? O lobo precisará comer alguma coisa. Quando eles perceberem que ovelhas dinamarquesas não têm um gosto tão ruim assim, poderá ser um pouco problemático. Será interessante ver até onde podemos coexistir com grandes predadores“.

Infelizmente, ainda há muita discussão de como lobos podem viver em harmonia com as populações rurais. Lobos podem matar pessoas, apesar de estudos provarem que eles têm medo de humanos e raramente são agressivos.

O importante papel dos lobos na natureza

Nos anos 90, um dos mais importantes experimentos científicos foi realizado no Parque de Yellowstone, na costa oeste dos Estados Unidos, com a reintrodução de lobos. Sua ausência no local durante anos fez com que os veados se reproduzissem de maneira além do normal, já que não tinham mais um predador natural. Com isso, para se alimentar, os veados foram acabando com a vegetação do parque.

Em pouco tempo, a presença dos lobos afastou os veados de certos locais, permitindo que a floresta voltasse a crescer e pássaros, castores e muitas outras espécies de animais reaparecessem. O mais interessante de tudo, todavia, foi o impacto – positivo – que eles tiveram sobre os rios, assim como todo o ecossistema de Yellowstone.

No vídeo abaixo, você conhece a história fantástica do que aconteceu no parque quando os lobos voltaram a viver no local:

Foto: Tambako The Jaguar/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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