Mais de 60 milhões de meninas não têm acesso à educação no mundo

Mais de 60 milhões de meninas não têm acesso à educação no mundo

Fome, pobreza, trabalho infantil, casamento forçado, falta de segurança e saneamento básico são as principais barreiras que impedem que 62 milhões de meninas deixem de frequentar uma sala de aula diariamente. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), metade delas nunca mais voltará à escola.

O alerta foi dado por Irina Bokova, diretora da entidade, que participa de uma conferência, no Chile, sobre a “Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU”.

“Esta é uma das principais causas de exclusão social em muitas comunidades”, afirmou Irina. Ainda segundo ela, dois terços dos 758 milhões de analfabetos do mundo são mulheres. “O que prejudica todas as sociedades, freia o desenvolvimento e mina os esforços de paz”.

São nos países da África e Ásia que a educação ainda é negada para meninas, devido à razões culturais, sociais ou simplesmente, por falta de acesso. Na Somália, por exemplo, estima-se que 95% das garotas entre 7 e 16 anos, nas comunidades mais pobres, nunca tenham ido para a escola. Na Nigéria, há mais de 5 milhões de estudantes do sexo feminino fora da sala de aula.

Estudos comprovam que quanto maior o nível educacional das mulheres, menor é o número de casamentos envolvendo crianças. De acordo com a Unesco, quando uma menina completa o ensino fundamental, há 14% menos chances dela se casar precocemente. Mas com o ensino médio terminado, esta porcentagem aumenta para 60%.

Outros dados impressionantes são fornecidos pela organização internacional CARE.  Uma criança nascida de uma mulher alfabetizada tem 50% maior probabilidade de sobreviver além dos cinco anos de idade. Ou seja, educação feminina está diretamente ligada à taxas de mortalidade infantil.

E não para por aí. Dar acesso à educação para mulheres impacta diretamente a economia. Um estudo da CARE revela que, se todos os estudantes de países em desenvolvimento pudessem ser ensinados as técnicas básicas de leitura, mais de 170 milhões de pessoas poderiam sair da miséria. E mais! Se o nível de educação fosse melhorado, estas economias teriam um crescimento de 2% por ano, graças somente a este fator.

Outro levantamento realizado pelo Banco Mundial destaca que cada ano adicional de estudo completado por uma menina garante a ela um salário 20% maior quando adulta.

No Brasil, a última Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD), feita em 2015, apontou que 8% dos brasileiros, com mais de 15 anos, não sabem ler nem escrever, mas não há uma grande disparidade entre homens e mulheres. O que se enfrenta muito ainda em nosso país é a discriminação contra o sexo feminino e que se reflete em, entre outras coisas, salários diferentes para eles e elas.

Parte desta cultura nasceu de estereótipos, criados ao longo dos últimos séculos, e que serviram para aumentar a desigualdade de gêneros e reforçar o machismo na nossa sociedade.

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Foto: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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