Mais de 50 elefantes morrem de fome e sede devido à seca histórica no sudeste da África

Mais de 50 elefantes morrem de fome e sede devido a seca histórica no sudeste da África

Primeiro foi a caça. Agora é a crise climática. Diversas espécies de animais que, finalmente, estão conseguindo sobreviver ao ataque de caçadores, agora enfrentam os efeitos provocados pelo aquecimento global. É o caso dos elefantes no continente africano.

Desde o começo de setembro, ocorre uma onda de calor extrema no sudeste da África. Sem encontrar alimentos e água, os elefantes vagam pelos parques nacionais daquela região, mas nada encontram e acabam morrendo de fome e sede.

A maioria das carcaças estavam próximas a fontes de água, muitas vezes, secas. Biólogos afirmam que isso indica que os animais devem ter percorrido muitos quilômetros para chegar até ali e sucumbiram ao cansaço.

Segundo comunicado da National Parks and Wildlife Management Authority, órgão que administra os parques do Zimbábue, 55 elefantes foram descobertos sem vida, nos últimos dois meses, no parque de Hwange.

“O problema é real, a situação é terrível”, lamentou Tinashe Farawo, relações públicas da entidade.

Ao tentar achar o que comer, os elefantes invadem vilarejos e ocorre confrontos com moradores. Eles destróem plantações e muitas vezes, matam pessoas. Além disso, há um desequilíbrio nas populações de animais dos parques.

Em Hwange, onde viviam cerca de 15 mil elefantes, atualmente há mais de 50 mil.

O governo do país defende que a comercialização de elefantes seria uma maneira de arrecadar recursos para a preservação da espécie e ajudaria a reduzir sua superpopulação. Mas organizações de proteção animal são contra a proposta e denunciam que a liberação de áreas para mineração têm provocado o desmatamento na região.

Em maio, 90 elefantes foram vendidos para a China e Dubai por US$ 2,7 milhões. As autoridades afirmam que o dinheiro foi revertido para trabalhos de conservação.

Para tentar resolver o problema da seca nos parques do Zimbábue, poços tem sido perfurados, com até 400 metros de profundidade, para fornecer águas para os animais.

A Agência Nacional de Oceano e Atmosfera (NOAA) dos Estados Unidos divulgou na semana passada que setembro de 2019 se igualou ao mesmo mês, de 2015, como o mais quente desde que essas medições começaram a ser feitas em 1880.

*Com informações dos jornais The Guardian, CNN e Time

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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