Mais de 4 mil girafas foram mortas para atender demanda de mercado com peças do animal nos Estados Unidos


Mais de 4 mil girafas foram mortas para atender demanda de mercado com peças do animal nos Estados Unidos

Inacreditável. É simplesmente muita falta de humanidade e muita, mas muita estupidez. Enquanto as girafas entram gradualmente em um processo de extinção nas savanas africanas, o comércio americano por bens que levem a pele, os ossos, as patas e até, a cabeça deste animal, está bombando.

Uma investigação realizada pela The Humane Society dos Estados Unidos denuncia o chocante mercado que é responsável pela morte, somente na última década, de mais de 4 mil girafas na África.

Foram encontrados produtos com partes do animal sendo vendidos online e em pelo menos, 51 lojas físicas ao redor do país. Um investigador disfarçado visitou 21 delas nos estados da Califórnia, Flórida, Maryland, Carolina do Norte, New York, Oklahoma, Tennessee e Texas – em todas elas havia produtos relacionados ao assassinato de girafas.

Entre os itens oferecidos estavam roupas, botas, bijuterias, tapetes e objetos de decoração feitos com a sua pele. Havia até a capa de uma bíblia feita com a pele da girafa.

A organização estima que, mais de uma girafa é importada por dia, nos Estados, como troféu de caça. Mostramos recentemente aqui, no Conexão Planeta, a notícia sobre a foto de uma caçadora americana com uma girafa morta que provocou revolta nas redes sociais.

O que acontece é que nos Estados Unidos, a caça “esportiva” é permitida e a legislação do país não proíbe a importação de partes do corpo de girafas. Ainda mais agora, sobre o governo do presidente Donald Trump, que apóia este tipo de atividade, nada deve mudar tão cedo (leia mais sobre o assunto aqui). 

Em abril deste ano, diversas entidades de proteção animal, entre elas, a The Humane Society apresentaram uma petição ao U.S. Fish and Wildlife Service para listar as girafas como “ameaçadas” no Ato de Espécies Ameaçadas dos Estados Unidos. A medida restringiria a importação, exportação e comercialização de objetos feitos com partes do animal.

A caça de um dócil gigante

Girafas (Giraffa Camelopardalis) são os mamíferos terrestres mais altos da Terra. Os machos podem ter até 5m de altura. Pesando mais de uma tonelada, estes animais vivem, em média, 20 anos na natureza.

Nativa de cerca de 15 países africanos, as girafas são caçadas por sua pele e carne. No passado, era comum observar grupos de 20 a 30 animais, mas agora, eles são bem menores, com aproximadamente seis indivíduos.

Nos últimos 30 anos, houve uma redução de 30% da população de girafas africanas. Estima-se que restem somente 97 mil delas no mundo.

Foto de americana com girafa morta como troféu de caça provoca revolta nas redes sociais

Em 2015, a morte de outro animal selvagem, caçado na África, também causou comoção mundial. Era o leão Cecil, abatido no Zimbábue.

É inaceitável que animais ainda sejam brutalmente assassinados, de maneira tão covarde e cruel, simplesmente para satisfazer o ego e a vaidade de seres humanos.

Quando finalmente será dado um basta nessa estupidez?!

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Girafa entra para a Lista Vermelha de animais ameaçados de extinção. E não está sozinha 


Foto: divulgação The Humane Society e reprodução Twitter 

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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