Mais de 26 mil espécies estão em risco de extinção, revela nova lista vermelha da IUCN


Mais de 26 mil espécies estão em risco de extinção, revela nova lista vermelha da IUCN

Das 93.577 espécies registradas pela Lista Vermelha, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), 26.197 sofrem ameaça de serem extintas. A revelação foi feita na divulgação da mais recente atualização do levantamento, que avalia as condições de sobrevivência de milhares de animais e plantas no planeta.

“Esta atualização revela o ataque de ameaças que a nossa biodiversidade enfrenta”, disse Inger Andersen, diretor-geral da IUCN. “Espécies invasoras, mudanças nos padrões de incêndios, ciclones e conflitos entre humanos e animais selvagens são apenas algumas das muitas ameaças que causam estragos nos ecossistemas da Terra. À medida que espécies das Ilhas Maurício à Austrália escorregam em direção à extinção, corremos o risco de perder uma parte de nossa cultura e de nossa identidade, bem como os benefícios de suporte vital que essas espécies fornecem ao polinizar nossas plantações ou preservar solos saudáveis ”.

Esta nova edição da lista vermelha teve como foco principal os reptéis da Austrália, com características únicas, endêmicas daquela parte do mundo. Devido ao aumento de espécies invasoras na região e efeitos das mudanças climáticas, 7% das cobras, lagartos, camaleões e similares australianos correm risco de desaparecer.

Gatos abandonados são responsáveis, por exemplo, pela morte de 600 milhões de reptéis por ano naquele país. Esta foi a causa que o pequeno Tympanocryptis pinguicolla, na foto abaixo, passou da categoria vulnerável para em perigo (entenda melhor a classificação da lista vermelha da IUCN ao final deste post).

7% das espécies de reptéis australianos podem desaparecer

Outra espécie invasora que mata os reptéis australianos é a rã venenosa Rhinella marina, originária das Américas do Sul e Central. Ela foi levada até a Austrália em 1935 e já conseguiu reduzir a população de algumas espécies endêmicas do país em até 97%.

Rã venenosa invasora que dizima reptéis na Austrália

 Infelizmente, a ameaça de extinção paira sobre animais de diversos outros lugares. Na Ilha de Açores, 74% das espécies de insetos lutam para sobreviver devido ao aumento da média das temperaturas, modificação no uso do solo e a introdução de plantas não-nativas.

“Besouros são componentes-chave dos ecossistemas, cumprindo funções críticas, como predação e polinização”, destaca Axel Hochkirch, presidente do Subcomitê de Conservação de Invertebrados da IUCN. “Pequenas mudanças nos habitats provocam grandes impactos nos invertebrados e as espécies endêmicas das ilhas são particularmente ameaçadas”.

Nas Ilhas Maurício, o morcego Pteropus niger teve sua população reduzida em 50% depois que o governo permitiu o abate dos animais, que estariam destruindo plantações de lichia e mango na região. Todavia, a espécie tem um papel importantíssimo na polinização e dispersão de sementes.

Mas não há somente notícias ruins. Quatro espécies de anfíbios, que eram consideradas extintas na América do Sul, foram redescobertas na Colômbia e Equador.

Lista Vermelha das Espécies em Extinção 2018

Número de espécies analisadas – 93.577
Número total de espécies ameaçadas – 26.197
Extintas – 872
Extintas na natureza – 69
Criticamente em perigo – 5.664
Em perigo – 8.701
Vulnerável – 11.832
Quase ameaçadas – 6.052 

Entenda as siglas da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas

Extinto (EX): não existe mais nenhum indivíduo da espécie;

Extinto na natureza ( EW): todos os indivíduos vivos da espécie encontram-se em cativeiro, não sendo possível verificá-los em seu habitat;

Criticamente em perigo (CR): espécie apresenta chance extremamente elevada de entrar em extinção na natureza;

Em perigo (EN):  espécie possui grande chance de entrar em extinção na natureza;

Vulnerável (Vulnerable – VU): espécie tem chance de entrar em extinção na natureza;

Quase ameaçado (NT): espécie não está ameaçada, mas esforços devem ser realizados em prol de sua conservação;

Pouco preocupante (LC): espécie estudada não possui grandes riscos de entrar em extinção na natureza no momento;

Dados deficientes (DD): não existem dados suficientes que evidenciem o grau de conservação da espécie;

– Não avaliado (NE)


Fotos: domínio público/pixabay, Wikimedia commons e Brian Gratwicke/Creative Commons (Cane Toad) 

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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