Mais de 100 filhotes de papagaios-verdadeiros são resgatados do tráfico, em apenas uma semana, no Mato Grosso do Sul


Mais de 100 filhotes de papagaios-verdadeiros são resgatados do tráfico em apenas uma semana no Mato Grosso do Sul

Ano após ano, infelizmente, damos a mesma notícia triste aqui no Conexão Planeta. Filhotes de aves, com poucos dias, correndo risco de vida, amontoados em caixas, sendo transportados por traficantes de animais silvestres.

A denúncia foi feita novamente esta semana pela organização Projeto Papagaio-Verdadeiro, que trabalha pela proteção e conservação desta espécie de ave. Em sua página no Facebook, a ONG postou o vídeo, que você assiste ao final deste post, do resgate de 116 filhotes, na região dos municípios de Novo Horizonte do Sul e Ivinhema, no Mato Grosso do Sul.

Em uma das cidades, as Polícias Militar e Ambiental encontraram os pequenos papagaios-verdadeiros em uma casa, escondidos dentro de um guarda-roupa e embaixo de uma cama. Em Ivinhema, os policiais flagraram um traficante com 69 aves. Esta é a terceira vez que o homem é detido pelo mesmo crime.

O melhor falador dentre todas as espécies

Também conhecido como papagaio-trombeteiro, papagaio-curau ou papagaio-comum, o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva) é a espécie mais capturada para abastecer o comércio de animais de estimação, tanto dentro como fora do Brasil. Desde 1998, foram milhares de papagaios apreendidos no Mato Grosso do Sul. “O Centro- Oeste é considerado a segunda região “fornecedora” de animais para o comércio ilícito do eixo Rio de Janeiro-São Paulo”, revela a pesquisadora Gláucia Seixas, fundadora da Projeto Papagaio-Verdadeiro.

E por que ele é tão procurado? “Porque este papagaio é considerado o melhor “falador” dentre todas as espécies de papagaios do Brasil (são 13 espécies que ocorrem no nosso território). Por isso, inclusive, seu nome popular é “papagaio-verdadeiro”, uma vez que aprende a imitar a fala humana com poucos meses de vida. Isso o torna muito apreciado pelas pessoas, como animal de companhia”, explica.

Mais de 200 filhotes de papagaios-verdadeiros são resgatados do tráfico de animais

Um macho cuidando do ninho

Infelizmente, muitas das aves tiradas de seus ninhos acabam perdendo a vida antes mesmo de serem vendidas. Morrem de fome ou sede, em caixas superlotadas de pássaros.

Há 20 anos, a pesquisadora Gláucia Seixas, em parceria com o Parque das Aves, centro de recuperação e conservação de aves, localizado em meio à Mata Atlântica, ao lado do Parque Nacional do Iguaçu, luta pela sobrevivência do papagaio-verde na região do Pantanal e mais recentemente, no Paraná.

É justamente nesta época do ano, a de sua reprodução – entre setembro e dezembro -, que a espécie fica mais ameaçada. Traficantes atacam os ninhos, levando os filhotes. Ao nascer, os filhotes não tem penas, mas mesmo depois de ganhá-las, ficam ao lado dos pais até o próximo período de acasalamento. Um papagaio-verdadeiro pode viver até os 80 anos.

Por isso, além do trabalho de pesquisa biológica e monitoramento de ninhos, a equipe do Projeto Papagaio-Verdadeiro também conscientiza e educa a população sobre a importância da proteção da espécie e faz alianças com governos e entidades para o combate ao tráfico de animais.

Filhote sendo pesado pela equipe do Projeto Papagaio-Verdadeiro

A principal recomendação dos pesquisadores é: não compre animais retirados da natureza, não financie este sofrimento! Outra forma de coibir o tráfico de papagaios é denunciando lojas e pessoas que vendem estas aves para as autoridades ambientais de todo o Brasil.

“Criar um papagaio tirado de seu habitat, além de ilegal, pode contribuir para a extinção da espécie”, lembra Gláucia. “Se não houver comprador para as aves do tráfico, não haverá motivos para capturá-las e, certamente, as populações nativas serão um pouco mais preservadas”.

Então, espalhe agora a hashtag #TráficoTôFora nas suas redes sociais!

 

Fotos: divulgação Projeto Papagaio-Verdadeiro

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

2 comentários em “Mais de 100 filhotes de papagaios-verdadeiros são resgatados do tráfico, em apenas uma semana, no Mato Grosso do Sul

  • 21 de setembro de 2018 em 9:38 AM
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    Aqueles que não se importam com bebês, sejam animais ou humanos, são um perigo para qualquer espécie de seres vivos, porque fazem tudo por dinheiro, até mesmo matar ou morrer por ele. Filhotinhos de animais deveriam ser sagrados, tanto quanto crianças humanas no seu berço, confiantes e puras, acreditando que a vida é bela e que todos são bons. Humanos que ultrapassaram os limites permissíveis para errar e bagunçar com as Divinas Leis da Criação, erraram “feio”, “pisaram na bola” e dificilmente se corrigirão, a não ser que sofram na pele ou no bolso os prejuízos que causaram porque a vida cobra, a colheita é matematicamente certa, só esperar.

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  • 29 de setembro de 2018 em 10:44 AM
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    O nosso papagaio mais representativo está ameaçado de extinção!
    As penas aqui são muito brandas… se esses criminosos fossem efetivamente presos isso não aconteceria!
    Vira um círculo vicioso… para contrabalançar o prejuízo financeiro eles caçam mais!
    Assim como no tráfico de drogas… isso se torna “um enxugar o gelo”!

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