Mais antenadas, ONGs chegam até nós pelo caminho do amor e da empatia


ONGs que admiro têm utilizado novas maneiras de se comunicar com o grande público: com linguagens e informações mais humanas, mais focadas naquilo que nos une do que naquilo que nos separa, norteadas por valores morais como amor e empatia, sentimentos que todos almejamos com nossas almas – e isso sinaliza uma importantíssima lenta, gradual, porém forte, certeira e duradoura mudança de consciência que já chegou e que se intensificará cada vez mais daqui para frente.

O mundo está mudando. Com certeza você sente transformações intensas. Muita gente que faz parte do seu círculo de amizades, inclusive você mesmo, pode já ter se questionado sobre o por quê de estar aqui, sobre o que te faz feliz de verdade, sobre esse emprego ou esse relacionamento que, de repente, parecem não ter mais nada a ver. Esse chacoalhão faz parte de um movimento de mudança. As ONGs têm respondido a isso também.

Muitas já têm se demonstrado sensíveis o suficiente para perceber que a linguagem não é mais a de apenas “lutar contra”. É a da firmeza, sim, para denunciar tudo o que precisar ser denunciado, mas tendo como base o amor e a empatia e não mais a dor, apesar de doer, como já falei em um post anterior, aqui no blog.

Por isso, faço questão de mostrar exemplos de ações formidáveis que acabam impulsionando o despertar desta nova consciência, vindas de ONGs nacionais e internacionais:

Conservação Internacional (CI)

Esta organização lançou, há alguns anos, a campanha A Natureza Está Falando, dando voz a elementos da natureza, ecossistemas e até ao planeta Terra, por meio de artistas e músicos. A primeira vez que vi os vídeos, realmente me emocionei. Compartilho alguns trechos: “eu mando chuva quando vocês precisam, eu mantenho seu clima estável e em minhas florestas existem plantas que curam suas doenças. Mas quanto mais vocês tiram, menos eu tenho para oferecer. Se eu morrer, vocês também morrem, mas eu crescerei de novo”, diz a Amazônia, pela voz de Camila Pitanga.

“Me chamem de natureza, me chamem de Mãe. Eu estou aqui há mais de 4 bilhões de anos. Quando eu prospero, vocês prosperam. Quando eu padeço, vocês padecem. Meu solo, meus rios, meus oceanos, minhas florestas, podem acolhê-los ou abandoná-los. Suas ações vão determinar o seu destino, não o meu. Eu sou a natureza, eu vou continuar. Eu estou preparada para evoluir. E vocês, estão?”, afirma Mãe Natureza, pela voz de Maria Bethânia. O Céu também pôde se manifestar, pela voz de Lenine: “Olhem para cima, aqui estou eu! Sou o céu. Sou um cobertor que protege e aquece, envolvendo todo mundo na Terra. Sem mim vocês derreteriam. Todos os dias sou o ar que vocês respiram e mesmo assim, vocês estão me deixando doente. Demorei milhões de anos para acertar direitinho a mistura perfeita de gases, temperatura e clima que vocês desfrutam, mas agora seus carros e toda sua sujeira me levaram além do limite, mas ao final eu vou ficar bem. Eu vou ficar bem, já passei por outros traumas antes. Não é comigo que estou preocupado. Olhem para cima!”

Greenpeace

Com uma imagem de coração, o Greenpeace embasou sua campanha em prol da demarcação da Terra Indígena Sawré Muybu, do povo Munduruku, no Pará. O coração utilizado na arte nos remete a amor, inevitavelmente. Com certeza essa abordagem gerou mais empatia pela causa. A campanha deu super certo.

Recentemente, a ONG lançou outra campanha pela proteção dos corais da Amazônia, descobertos pela ciência na região onde o Rio Amazonas encontra o mar, porém já ameaçados pela exploração de petróleo (também noticiado, aqui, no Conexão Planeta). Com ações virtuais e de rua, a organização faz o chamado à sociedade sabe como? Convidando as pessoas a se tornarem defensoras dos corais. Título da notícia publicada no site do Greenpeace sobre essa ação pelo Brasil? Só amor: os defensores dos Corais da Amazônia entram em ação. Olha só o termo utilizado pela ONG: “defensores”, bem alinhado com o belíssimo exemplo que vem dos nativos americanos, na luta pela proteção de Standing Rock, como já contei aqui no blog, também.

Não tenho a menor dúvida de que esta campanha também será um sucesso.

Instituto Socioambiental – ISA

Celebro imensamente o lançamento, ontem (13 de março), da campanha #MenosPreconceitoMaisÍndio, que o Conexão Planeta já divulgou, aqui no site e nas redes sociais.

Em suas primeiras linhas, podemos ler no site da organização: “O ISA convida o Brasil a olhar os povos indígenas com mais generosidade, respeito e sem preconceito“.

A ONG não fala em guerra, não chega nas pessoas pelo ataque: chega pelo convite. Não usa palavras que acusam: usa as que unem, pois GENEROSIDADE E RESPEITO é o que todos queremos. E nem eu, nem você e nem nossos irmãos e irmãs indígenas queremos ou gostamos de sofrer qualquer preconceito.

Como parte da campanha, a ONG criou um vídeo curto, impactante, verdadeiro e que merece muito ser visto e compartilhado. Reproduzo no final deste post.

O mundo está mudando!

“The old ways will come back, my friend”, ou seja, “Os velhos tempos voltarão, meu amigo”, profetizou Cavalo Louco, maravilhoso guerreiro Lakota, pouco antes de ser morto por uma emboscada no século passado. Suas palavras vivem com força. “Velhos tempos” são aqueles nos quais nós, seres humanos, vivíamos integrados e em uma relação de mútuo respeito com a natureza.

Que estas campanhas toquem sua alma e a de todos que você ama!

Curta, reflita, sinta, engaje-se, emocione-se!

 

Foto: Mayur Gala/Unplash

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

Karina Miotto

Conectada com a força da floresta – guiada, protegida e inspirada por ela. Jornalista ambiental, educadora e fundadora do Reconexão Amazônia. Há mais de uma década tem se dedicado a proteger a Amazônia, onde morou por cinco anos. Mestre em Ciências Holísticas pela Schumacher College, Inglaterra, é formada em Educação para a Sustentabilidade pelo Gaia Education e Vivências com a Natureza pelo Instituto Romã.

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