Maiores e mais antigos baobás da África morrem e cientistas culpam o aquecimento global

Maiores e mais antigos baobás da África morrem e cientistas culpam o aquecimento global

Ela é uma das árvores mais majestosas do planeta. De dimensões gigantescas, pode atingir até 30 metros de altura e seu tronco chega a um diâmetro de 11 metros.

O baobá (Adansonia digitata) é nativo das savanas africanas, mas também foi introduzido em outras áreas tropicais. De outubro a dezembro, suas flores brancas são polinizadas por morcegos durante a noite. É uma espécie tão surpreendente que consegue armazenar 120 mil litros de água. Devido a seu formato, o baobá é chamado de “a árvore de cabeça para baixo”.

Pois a morte repentina, na última década, de 14 destas maravilhas da natureza chocou cientistas. Em artigo publicado na Nature Plants, ontem (11/06), uma equipe de pesquisadores internacionais relatou que nove dos 13 mais antigos baobás africanos e cinco dos seis maiores morreram, parcialmente ou totalmente, nos últimos 12 anos.

O que intriga os especialistas é que a estimativa de vida da árvore é de 3 mil anos, mas as que colapsaram tinham somente entre 1.100 e 2.500 anos.

“É chocante e dramático presenciar a morte de tantas árvores milenares como estas”, disse um dos co-autores do estudo, Adrian Patrut, da Universidade Babes-Bolyai, na Romênia.

Entre os baobás mortos, alguns dos mais velhos do continente africano

As pesquisas foram realizadas entre 2005 e 2017. Neste período, a equipe coletou dados e analisou mais de 60 baobás no sudeste da África: no Zimbábue, na Namíbia, na África do Sul, em Botsuana e na Zâmbia.

Para conseguir descobrir a idade das árvores, foram avaliadas informações como altura, volume da madeira e amostras de carbono.

Os cientistas especulam que a morte precoce das árvores foi provocada pelas mudanças climáticas na região, causadas pelo aquecimento global.

O baobá é uma árvore extremamente importante para as comunidades africanas. Seus frutos servem de alimento para animais e seres humanos. Suas folhas, que fazem lembrar o espinafre, também são consumidas ou ainda, utilizadas como medicamento. Já sua casca é usada para a fabricação de cordas, roupas e artesanato.

O perecimento dos baobás seculares é ainda mais estarrecedor quando se leva em conta que a espécie é extremamente resistente: nem fogo e nem ferimentos em seu tronco conseguem matá-la.

*Com informações da Agência France Presse e Kruger National Park 

Fotos: domínio público/pixabay

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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