A maior caverna de granito do Hemisfério Sul

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Não é segredo pra ninguém que Itu é a cidade dos superlativos, onde tudo é grande, imponente. E para não deixar por menos, tem em suas terras a maior caverna em granito do Hemisfério Sul.

A Gruta do Riacho Subterrâneo foi “descoberta” pela espeleologia brasileira a partir de um passeio informal de um amigo do Grupo Pierre Martin de Espeleologia – GPME, no Camping Casarão. Num final de semana qualquer, em meio a chalés e churrasqueiras, ouviu de soslaio sobre a existência de uma gruta por ali, no meio dos blocos de granito que decoram a paisagem.

Como toda gruta tem seu valor, não importa o tamanho, ele avisou o grupo. E como quase toda grande descoberta é casual, o GPME foi conhecer a região num fim de tarde, crendo que conseguiriam explorar e mapear a gruta em pouco tempo. Afinal, grutas em granito normalmente são pequenas, dado seu processo de formação estar associado ao posicionamento aleatório de grandes matacões e blocos da rocha.

Qual não foi a surpresa quando viram que o buraco seria bem mais embaixo. Literalmente. Foram mais de 15 viagens para explorar e mapear a gruta e chegar à marca, não finalizada, de 1249 m, e o título de maior caverna em granito do Hemisfério Sul. Além disso, encontraram potes de cerâmica que podem agregar valor arqueológico, pequenos e raros espeleotemas, despertando a curiosidade de especialistas espanhóis, e uma infinidade de animais.

A pesquisa biológica conduzida pela Prof. Maria Elina Bichuette e a equipe responsável pelo Laboratório de Estudos Subterrâneos, da UFSCar, encontrou cerca de 98 espécies de invertebrados (terrestres e aquáticos). Contudo, tal estudo é preliminar, já que ainda não foi realizado levantamento de espécies de morcegos, o que certamente atribuirá uma importância ainda maior. Os pesquisadores ainda farão uma amostragem de longo prazo, conciliando períodos de chuva e seca; afinal, estudos de fauna subterrânea ao longo do tempo são primordiais para sua compreensão e conservação.

Se, por acaso, esta curta descrição atiçou a curiosidade de espeleo-turistas, segue um aviso: a Gruta do Riacho Subterrâneo pode carregar este importante título, mas os adjetivos de Itu também servem para sua exploração. Não é para qualquer um! A rocha é extremamente áspera, e qualquer passagem entre os blocos é como se tivesse dentro de um enorme ralador de queijo! E o que mais se encontra são os quebra-corpos, diminutos vãos entre os blocos gigantescos, onde a ralação é uma realidade.

Não é à toa que os espeleólogos demoraram tanto neste trabalho. A exploração desta gruta é desgastante e complicada. Penetrar em claustrofóbicos espaços é comum. Ter que tirar o capacete para transpor trechos entre blocos ou pulá-los entre profundas fendas, um fato. Ali, os extremos coexistem. Assim como suas belezas.

Na foto, está o espeleólogo Ericson Igual. Para o registro, usei Câmera D300S, Lente 14 mm e cinco flashes remotos.

Adriano Gambarini

Geólogo formado pela USP e especializado em Espeleologia, é fotógrafo e escritor desde 1992 e um dos mais ativos profissionais na documentação de projetos conservacionistas e etnográficos da atualidade. Autor de 13 livros fotográficos, dois de poesia e centenas de reportagens publicadas em revistas nacionais e estrangeiras. Ministra palestras e encontros sobre fotografia, conservação e filosofia de viagem.

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