Mãe paulista que narra jogos no estádio para filho deficiente visual ganha o Fifa Fan Award 2019

Mãe paulista que narra jogos nos estádios para filho cego ganha o Fifa Fan Award 2019

Poucas coisas na vida são tão lindas e sublimes com o amor de uma mãe por um filho. Elas são capazes de fazer as coisas mais incríveis e inacreditáveis para vê-los bem e felizes.

É o caso da paulista Silvia Grecco, mãe do Nickollas, de 11 anos. Torcedora do Palmeiras, ela passou sua paixão pelo futebol e pelo ‘Verdão’ para o filho, que é deficiente visual. Para que ele possa acompanhar as partidas no estádio, a mãe sempre está ao lado dele, narrando cada jogada.

“Descrevo todos os detalhes do ambiente, as características de cada jogador. Narrar o gol é a parte mais emocionante, não tenho dúvida disso. No estádio a liberdade é completa, ele se transforma. Ele fica relaxado, levanta, aplaude e pula. Nickollas se torna outra criança. E eu sou os olhos dele”, conta Silvia.

Hoje esta história emocionante rece o Fifa Fans Award, prêmio que a entidade internacional dá para dos fãs do esporte. Em cerimônia no Teatro Scala, em Milão, Silvia e o filho estavam lado a lado no palco.

“Nickollas, aqui na frente estão muitas pessoas, muitos jogadores, muitos ídolos, estamos aqui representando nosso time, Palmeiras, e todos os torcedores do Brasil e do mundo, todos aqueles que torcem pela pessoa com deficiência. O futebol pode transformar a vida dessas pessoas”, disse a brasileira. “Esse prêmio é para todas as crianças com deficiência no mundo”, ressaltou.

A história da mãe narradora ficou conhecida no Brasil todo recentemente e viralizou nas redes sociais, graças a uma matéria que foi ao ar na Rede Globo. Silvia também mencionou, em seu discurso, outro concorrente ao prêmio, Justo Sánchez, um uruguaio fã do Cerro, mas que passou a acompanhar os jogos do rival Rampla Juniors em homenagem ao filho falecido.

Nickollas nasceu prematuro, com apenas 5 meses de gestação, pesando só 500 gramas. Por esta razão, suas retinas não tiveram tempo de amadurecer. Ficou internado durante 120 dias no hospital. Mais tarde, Nikollas também foi diagnosticado com um autismo leve.

Nada disso foi barreira para que Silvia resolvesse adotá-lo. A mãe narradora tem um coração do tamanho do mundo e uma disposição tão grande quanto para que Nickollas seja feliz.

Leia também:
Emojipedia pode ganhar representações de pessoas com deficiência em 2019
Barbie lança (finalmente) modelos cadeirante e com prótese na perna
As bonecas da inclusão
Diversidade e inclusão ganham espaço na publicidade

Foto: divulgação/reprodução Fifa Awards

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

Deixe uma resposta