Londres proibe circulação de caminhões que oferecem risco a ciclistas

Londres proibe circulação de caminhões que oferecem risco a ciclistas

Mais de 50% dos acidentes fatais com ciclistas na capital da Inglaterra e 22,5% dos atropelamentos, em 2014 e 2015, foram provocados por caminhões, apesar deles só representarem 4% da frota total de veículos de Londres.

Para dar um basta nesta lamentável estatística, o prefeito da cidade, Sadiq Khan, acaba de anunciar que irá proibir o tráfego de caminhões com problemas de visibilidade. O objetivo é dar mais segurança a ciclistas e pedestres.

“Não estou preparado para ficar parado e continuar a deixar caminhões perigosos causarem mais tragédias nas ruas de Londres. A evidência é clara – eles estiveram envolvidos em mais da metade das mortes de ciclistas nos últimos dois anos – e por isso, precisamos tomar uma ação drástica para tornar nossas ruas mais seguras para bicicletas e pedestres”, afirmou  Khan.

A medida, que entra em vigor em janeiro de 2020, vai criar um sistema de classificação de visibilidade para caminhões de construção, mudanças, entrega de cargas e outros veículos pesados. Será analisado o grau de visibilidade do motorista, de dentro da cabine, diante de outros carros, bicicletas e pedestres nas ruas. A fiscalização vai checar o quanto o chamado “ponto cego” pode colocar em risco a segurança das pessoas em volta.

Caminhões receberão notas de 0 e 5 e somente aqueles que tiverem média acima de 3 poderão continuar andando por Londres. A prefeitura estima que atualmente circulem pela cidade 35 mil caminhões com má visibilidade, ou nota 0, se o novo sistema de classificação já estivesse em funcionamento.

Sadiq Khan vai trabalhar agora juntamente com empresas do setor da construção civil e subprefeituras para que haja um esforço coletivo para apoiar a nova medida e desta maneira, caminhões perigosos não sejam mais usados em obras na cidade.

Em duas outras cidades europeias, caminhões já sofrem restrições para garantir maior segurança aos ciclistas. Em Paris, veículos pesados com mais de 43 m2 precisam de permissão especial para transitar na cidade e caminhões menores só podem ir às ruas em horários específicos. Já em Dublin, na Irlanda, caminhões com mais de cinco eixos são proibidos entre 7h e 19h.

Ciclistas em São Paulo

Na maior cidade do Brasil, mais e mais pessoas tentam deixar o carro em casa para usar a bicicleta. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), em 2014, o número de bicicletas circulando pela capital cresceu 50%, pulando de 174,1 mil, em 2013, para 261 mil.

Mas muitos paulistanos ainda têm medo de fazer a transição do carro para a bike. E é fácil entender a razão. Ainda segundo a CET, em 2014, houve um aumento de 34% no número de ciclistas mortos no trânsito. Foram 47 mortes, quando no ano anterior, 35 pessoas perderam a vida.

Todavia, um gráfico feito pelo Observatório de Indicadores da Cidade de São Paulo (Observa Sampa) revela que as fatalidades com ciclistas estão diminuindo desde 2008. A boa notícia é provavelmente consequência do investimento na construção de novos trechos de ciclovias na cidade.

Mas ainda é preciso mais. No mundo todo, o que garante mesmo a segurança das bicicletas são leis mais rígidas – e fiscalização – tanto para motoristas como para os próprios ciclistas. Além disso, só inibindo a presença de veículos nos centros da cidade, através do estímulo ao uso do transporte público e da bicicleta é que veremos mais pessoas trocando o carro pela magrela.

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Foto: Richard_Gough/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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