Lixo plástico ameaça 99% das aves marinhas

pinguins
Até 2050, quase todas as aves marinhas terão plástico em seus organismos. Não escaparão nem as mais remotas comunidades de pinguins da Antártica ou albatrozes nascidos em ilhas e rochedos remotos. A previsão é de pesquisadores da Commonwealth Scientific and Industrial Research Organization (Csiro), da Austrália, e do Imperial College de Londres, da Inglaterra.

Os cientistas Chris Wilcox, Denise Hardesty e Erik van Sebile conduziram uma ampla revisão de todos os artigos científicos publicados sobre o assunto, desde 1960, e projetaram a tendência por mais 35 anos. De acordo com os cálculos deles, em 1960, o lixo plástico havia contaminado menos de 5% das aves marinhas.

Pouco mais de meio século depois – em 2015 – cerca de 60% das aves marinhas já têm resíduos plásticos em seus estômagos. E, se a tendência não mudar, chegaremos a 2050 com 99% das aves marinhas contaminadas pelos nossos plásticos.

É uma escalada de contaminação impressionante. Sobretudo porque os cientistas não estão se referindo a algumas populações contaminadas, mas a 99% de todos os indivíduos, de todas as aves marinhas existentes, seja de que espécie forem.

A grande maioria dessas aves ingere partículas de plástico junto com peixes ou frutos do mar de que se alimenta. Mas algumas engolem peças maiores, como tampas de garrafas, sacolinhas, frascos, cordas, pedaços de redes. Como o plástico não é digerido, os fragmentos se acumulam no estômago até não restar espaço para a comida. A ave, então, morre de inanição.

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Albatrozes-de-sobrancelha-negra nas Malvinas: todas as espécies devem ingerir plástico até  2050

A ingestão de plásticos também coloca os animais em contato com poluentes orgânicos persistentes – os chamados POPs. E vários desses químicos têm efeitos desastrosos sobre as cascas dos ovos: elas se tornam quebradiças e se rompem antes da eclosão do filhote.

Embora as maiores concentrações de lixo plástico flutuem no Pacífico Norte e no Atlântico Norte, é com a presença de partículas de plástico nos mares do sul que os pesquisadores mais se preocupam (veja matéria publicada esta semana aqui no Conexão Planeta sobre o assunto). Entre a Antártida e o sul da África, da América do Sul e da Oceania estão imensos ninhais de um grande número de espécies, todas à mercê do nosso lixo.

Reverter tamanha tendência de contaminação é difícil e exige muita educação. Por isso, a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) criou um site com material didático sobre as marés de lixo, chamado Turning the Tide on Trash (algo como: Fazendo Voltar a Maré de Lixo, em tradução livre). Ali há um guia para professores que queiram incluir o assunto em suas aulas, do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, e um seminário virtual sobre o assunto (webinar). O site ainda disponibiliza seis vídeos curtos que sintetizam o problema: O que é lixo marinho? De onde vem o lixo marinho? Como o lixo marinho impacta o oceano, os animais e eu? Porque o lixo marinho plástico é tão comum? O que é a Grande Ilha de Plástico do Pacífico? O que nós podemos fazer com o lixo marinho?

Tudo isso está em inglês. Mas o conteúdo bem vale o esforço de tradução. Para acessar, clique aqui.

Fotos: Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.

Liana John

Jornalista ambiental há mais de 30 anos, escreve sobre clima, ecossistemas, fauna e flora, recursos naturais e sustentabilidade para os principais jornais e revistas do país. Já recebeu diversos prêmios, entre eles, o Embrapa de Reportagem 2015 e o Reportagem sobre a Mata Atlântica 2013, ambos por matérias publicadas na National Geographic Brasil.