#LiberteSeDaCrueldade: Xuxa, modelos e infuenciadores se unem em campanha pela proibição de testes de cosméticos em animais

Este ano, a campanha #LiberteSeDaCrueldade, liderada pela Humane Society International (HSI), recebe o apoio da ONG latino-americana de conscientização dos consumidores Te Protejo, e, no Brasil é protagonizada por um grupo de celebridades e influenciadores como Xuxa Meneghel, as modelos Fernanda Tavares e Ellen Jabour, a designer de moda Ray Neon, a apresentadora drag Queen Rita Von Hunty, a youtuber Nataly Neri, o escritor Jonas Maria e a maquiadora Nicole Make, entre outros.

A escolha dos “garotos e garotas propaganda” da campanha se deve ao envolvimento de cada um com o bem-estar dos animais e, também, por sua atuação profissional em ambientes – TV, sites, You Tube, desfiles, fotos, livros etc – que podem ajudar a despertar os brasileiros para essa causa.

Lançada em vários países pelo mundo, a campanha tem por objetivo acabar com os cruéis testes da indústria de cosméticos realizados em animais. Para tanto, quer atingir os consumidores para conscientiza-los a respeito da crueldade que cerca essa prática ultrapassada e incentivá-los a assinar um abaixo-assinado online. E, claro, para que se tornem disseminadores desta mensagem em suas redes sociais e em suas relações pessoais.

A campanha #LibertesedaCrueldade terá inúmeras ações durante o ano. A primeira está marcada para 21 de abril, quando serão distribuídos nas ruas de São Paulo, gratuitamente, exemplares do Guia para Uma Vida Livre de Testes em Animais, produzido pela Te Protejo.

O apoio renovado do mundo da arte e da moda em prol da campanha #LibertesedaCrueldade é um recado forte de que os testes de cosméticos em animais devem acabar já”, destaca o gerente de campanha para a HSI, Helder Constantino. Ele ressalta a importância da participação dos inúmeros consumidores que já se opõem a esses testes cruéis para que incluam seus nomes no abaixo-assinado online e garantam que suas vozes sejam ainda mais ouvidas. “Oportunamente, a HSI e a Te Protejo também apresentarão o abaixo-assinado no Congresso e para o governo federal, para obter o apoio dos parlamentares”.

Relatório de 2017, votado e aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado Federal ajudou a alterar o texto original do Projeto de Lei da Câmara PLC 70/2014, de 2013 (que visava atualizar a Lei Arouca, de 2008, sobre o uso de animais em atividades cientificas em geral), com a inclusão de ementa que propôs “a vedação da utilização de animais em atividades de ensino, pesquisas e testes laboratoriais com substâncias para o desenvolvimento de produtos de uso cosmético em humanos e aumentar os valores de multa nos casos de violação de seus dispositivos”. Na consulta pública sobre a nova proposição, o SIM teve 8347 votos contra 654 para o NÃO.

Em maio de 2018, relatório semelhante apresentado pela senadora Gleisi Hoffmannque recebeu total apoio da HSI e foi elaborado com sugestões da Anvisa – entrou na pauta do plenário, mas não pode ser votado antes do encerramento da sessão parlamentar. Se perdeu. Mas, recentemente, o senador Alessandro Vieira foi designado relator do PLC 70/2014 (que está sendo desarquivado), na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

“Importante ressaltar que o PLC 70/2014 é muito fraco, por isso, as ementas votadas em 2017 (parecer do Senador Randolfe Rodrigues) e propostas por Gleisi são imprescindíveis neste processo”, explica Constantino.

Não se deve esquecer que, em 2018, seis estados brasileiros já haviam determinado a proibição dos testes em animais para cosméticos: São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul, Pará e Amazonas. Com um detalhe: neles, havia cerca de 60% de todas as empresas de cosméticos no país. Hoje, com a proibição também em Minas Gerais, são sete estados e 70% das empresas.

Constantino, da HSI e gerente da campanha #LibertesedaCrueldade, acredita que é possível conquistar, no Brasil, a proibição total dos testes em animais, como já acontece em muitos países, como os que compõem a União Europeia. “Acreditamos firmemente que essa grande vitória em defesa dos animais está ao nosso alcance”.

“Testar cosméticos em animais é uma prática antiética e ineficiente. Já existem alternativas para acabar com o sofrimento de milhares de animais. Acreditamos que a crueldade nos cosméticos deve acabar e que a campanha #LibertesedaCrueldade é um grande esforço para alcançar este objetivo. Estamos felizes em ajudar neste belo trabalho”, conta a diretora executiva da Te Protejo Brasil, Mayara Tutumi.

A campanha #LiberteSeDaCrueldade passo a passo

• Lançada em 2012 pela Humane Society International, uma das maiores organizações de proteção animal do mundo, esta é a maior campanha da história para acabar com os testes de cosméticos em animais e a venda de cosméticos testados no planeta.

• 39 países já promulgaram medidas legislativas alinhadas aos objetivos da campanha, incluindo os que compõem a União Europeia, além da Noruega, Índia, Nova Zelândia, Coréia do Sul, Taiwan, Guatemala e Austrália, com legislações semelhantes em desenvolvimento no Brasil, Estados Unidos, Canadá, México, Chile, Colômbia, África do Sul, Sri Lanka, entre outros.

• Como já ressaltei e vale frisar, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Amazonas e Pará já proibiram testes estéticos em animais por lei. Juntos, esses estados abrigam aproximadamente 70% da indústria nacional.

• No Brasil, #LibertesedaCrueldade recebeu o apoio ativo de inúmeras organizações locais, nacionais e internacionais, incluindo o Fórum Nacional para a Proteção e Defesa dos Animais (FNPDA), que é uma coalizão nacional com mais de 130 entidades de bem-estar animal afiliadas, de todas as regiões do país.

• Com sede no Chile e presente na Argentina, Colômbia, México, Peru e Brasil, a Te Protejo é uma ONG de conscientização do consumidor que promove o uso de cosméticos livres de crueldade por meio de uma ampla rede de voluntários e plataformas digitais. Juntou-se à #LibertesedaCrueldade este ano.

• Com as emendas dos senadores Gleisi Hoffman e Randolfe Rodrigues, o Projeto de Lei da Câmara 70/2014 tem potencial para proibir testes de produtos e ingredientes cosméticos em animais no Brasil, e sua comercialização. Tais emendas foram votadas pela Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado Federal e a HSI está trabalhando para que essas emendas sejam confirmadas pelo plenário.

Agora, veja as peças da campanha #LiberteSeDaCrueldade da HSI no Brasil e ajude a espalhar em suas redes sociais:

Fotos: Divulgação/HSI

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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