Leonardo DiCaprio recebe prêmio e condena combustíveis fósseis em discurso em Davos

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Leonardo DiCaprio não é só um bom ator. Desde 1998, dedica-se também a lutar para proteger a vida selvagem e restaurar o equilíbrio de ecossistemas ameaçados, apoiando programas em mais de 40 países por meio de sua fundação: a Leonardo DiCaprio Foundation. E também faz parte de sua missão combater as mudanças climáticas, o que tem feito com afinco. Por isso, tem participado também das conferências da ONU, como a COP21, em Paris, em dezembro.

Na última terça feira, 19/1, ele esteve no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, para receber o Davos Crystal Awards por sua trajetória ambientalista.

Em seu discurso, ele prometeu mais de US$ 15 milhões em doações para projetos ambientais de organizações como Global Fishing Watch, Nature Conservancy, Rainforest Action Network, Haka, Clear Water, Seed Alliance/Flor de Ceibo e Solutions Project. E enfatizou a importância de lutar para reverter os danos já sentidos pelas alterações climáticas e para que evitemos que se ampliem, destacando um de seus principais alvos, nos últimos tempos, os combustíveis fósseis, que tinha diversos representantes e investidores presentes. Eis alguns trechos:

– “Juntos, estamos lutando para preservar nosso clima frágil de danos irreversíveis e o planeta da devastação de proporções inimagináveis”;

– “Nós não podemos nos dar ao luxo de permitir que a ganância corporativa das indústrias do carvão, petróleo e gás determinem o futuro da humanidade. As empresas que têm somente interesse financeiro em preservar esse sistema destrutivo, negam as evidências das mudanças climáticas. Já chega! Vocês sabem; o mundo sabe: a história vai colocar a culpa por esta devastação em vocês”;

– “Nosso planeta não poderá ser salvo, a menos que deixemos os combustíveis fósseis no subsolo ao qual eles pertencem”, acrescentou. “Vinte anos atrás, não sabíamos muito para acabar com esta dependência. Hoje, temos os meios para isso”.

Di Caprio enfatizou algumas das vantagens da ação conjunta contra o aquecimento global: poderá poupar US$ 42 trilhões em custos de energia e criar 20 milhões de empregos. Destacou pesquisa de Stanford que confirma que, até 2050, a energia renovável pode substituir os combustíveis fósseis e outras fontes nocivas. E aproveitou para lembrar a iniciativa lançada durante a COP21 por Bill Gates Breakthrough Energy Coalition, que reúne diversos líderes empresariais, entre eles Mark Zuckerberg (Facebook) e Jeff Bezos – para ajudar a construir um futuro sem emissões, com emissões zero. “Peço-lhes para que se juntem a eles! Se todos nós fizermos a nossa parte e agirmos com essa ousadia, podemos conquistar um progresso significativo e justo. Isto é apenas uma transição inevitável, mas um imperativo para o futuro do planeta”.

E finalizou sua conversa com a plateia poderosa falando da natureza: “Os esforços filantrópicos para proteger a Terra e seus ecossistemas naturais – que nos fornecem ar respirável, água potável, solos férteis e mares abundantes – ainda são ínfimos: apenas 3%. Eles são a base da nossa economia global. E, sem eles, a vida como a conhecemos entraria em colapso”. Como já aconteceu inúmeras vezes no planeta.

O prêmio

Esta foi a 22ª. edição do Davos Crystal Awards criado por Hilde e Klaus Schwab, da Schwab Foundation, no início dos anos 90 para reconhecer artistas comprometidos em melhorar o mundo, que lidam com grandes problemas mundiais relacionados ao meio ambiente, à inclusão social, à saúde, educação, segurança alimentar e à paz.

Até hoje, foram mais de 80 indicados, entre eles os músicos Andrea Bocelli e Peter Gabriel, a cantora Yvonne Chaka Chaka, o casal Jeane Claude e Christo, os atores Matt Damon e Sidney Poitier, o cineasta Luc Besson, a artista plástica Shirin Neshat e o escritor Mario Vargas Llosa. Este ano, além de Leonardo DiCaprio – homenageado por seu trabalho contra a crise climática -, receberam o prêmio a atriz chinesa Yao Chen, por seu trabalho de sensibilização na crise dos refugiados junto a Acnur (agência da ONU), o artista plástico dinamarquês Olafur Eliasson, por sua liderança na criação de comunidades inclusivas e o rapper e empresário will.i.am, pela criação de oportunidades educacionais para pessoas carentes.

Abaixo, assista a premiação dos quatro artistas:


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Foto: reprodução vídeo 

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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