Leões se alimentam de focas e aves marinhas para sobreviver na costa da Namíbia

Leões se alimentam de focas e aves marinhas para sobreviver na costa da Namíbia

Em 2017, uma lagartixinha, encontrada em Goiás, surpreendeu pesquisadores brasileiros. O pequeno réptil passou por uma evolução relâmpago para sobreviver à construção de uma usina. Isolada em ilhas formadas após a inundação de uma área da Bacia do Alto Tocantins, em apenas 15 anos, a espécie desenvolveu uma cabeça maior para comer cupins maiores.

Algo similar aconteceu com outro animal. Dessa vez, muito maior que a lagartixa brasileiro. Leões africanos (Panthera leo) que habitam a Costa dos Esqueletos, na Namíbia, mudaram seus hábitos alimentares para sobreviver. A costa é caracterizada por extrema aridez e um índice baixíssimo de chuvas, com vegetação praticamente inexistente. É a região mais seca da África Subsaariana, localizada ao sul do Deserto do Saara.

Os chamados leões do deserto, que só são encontrados nessa área, são os únicos no mundo a se alimentar de animais marinhos, segundo os cientistas. No passado, esses felinos costumavam caçar avestruzes e oryx, uma espécie de antílope.

O leão do deserto com uma ave marinha na boca

O comportamento dos leões da Namíbia, que já havia sido descrito antes, foi o tema de um artigo científico publicado este mês, no Namibian Journal of Environment.

O estudo comprova, mais uma vez, como espécies podem se adaptar para sobreviver a mudanças, algo que em 1850, Charles Darwin descreveu em seu livro “A Origem das Espécies”, em que propôs a teoria da evolução biológica por seleção natural.

O naturalista britânico defendia que a seleção natural faz com que as populações se tornem adaptadas ou cada vez mais bem integradas a seus ambientes ao longo do tempo.

E é exatamente isso que demonstram os leões da Namíbia. As focas se movem lentamente, o que torna sua caça mais fácil. Além disso, elas possuem uma carne rica em gordura, o que garante que o felino fique saciado por mais tempo.

Na década de 90, os leões do deserto foram praticamente extintos. Eram mortos por fazendeiros, pois caçavam o gado e outros animais. Mas graças ao trabalho de organizações de conservação, quase uma década mais tarde, sua população voltou a se recuperar.

Com a riqueza da vida marinha a seu dispor, os leões africanos decidiram ter um olhar mais atento para o oceano e deixar de lutar pela sobrevivência na aridez do deserto.

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Fotos: Namibian Journal of Environment

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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