Lago Aculeo, no Chile, seca e país perde uma de suas atrações turísticas

Tanto no verão, como no inverno, o Lago Aculeolocalizado na comunidade de Paine, há 70 km de Santiago, capital -, fazia a felicidade de chilenos e turistas de várias partes do mundo. Era um local tradicional de esportes aquáticos e de inverno.

Mas isso se manteve apenas até 2011. Logo, o lago começou a desaparecer, paulatinamente. Hoje, os doze quilômetros que já abrigavam águas muito cristalinas em seis metros de profundidade, parecem um deserto. Só não o são por completo porque a vegetação rasteira e o gado tomaram conta de alguns áreas.

O principal motivo para o desaparecimento do lago, apontado por especialistas e moradores, é a falta de chuvas que provocam períodos muito prolongados de seca. Nos anos 1980, chovia em média, 350mm por ano, mas, no ano passado, esse volume caiu pela metade, e as previsões apontam que esse ritmo deve continuar.

Estudos indicam que, nos próximos dez anos, as precipitações na região devem diminuir cerca de 30%. Tudo isso obviamente causado pelas mudanças climáticas – aquelas que o atual governo brasileiro negam -, mas não só.

A superexploração dos recursos hídricos pelo agronegócio – principalmente para atender o gado e as plantações de abacates e cerejeiras, que precisam de muita água – e pela demanda doméstica também são causadoras desta tragédia.

Uma das soluções apontadas pelas autoridades para resolver o problema seria investir no canal de irrigação Aquilino, que poderia levar para o lago Aculeo a água do estuário de Pintué. Mas isto não seria “descobrir um santo para vestir outro”? Todos que dependem deste estuário deveriam ser consultados, não? Afinal, não há como inventar água: se você tira de um lugar para colocar em outro, alguém vai ficar sem ela.

Além disso, se a chuva não cair na região para manter a terra molhada e o lago abastecido, de nada adianta essa medida já que a água também vai desaparecer.

Em sites como o Trip Advisor, onde turistas comentam sobre os lugares que visitaram, é interessante acompanhar os relatos. Desde 2006, pelo menos, eles não economizavam em elogios à beleza da região, mas também já registravam a secura do lago. As fotos que selecionei para este post foram feitas por um turista inconformado com o que estava acontecendo com o lago.

E, assim, o país perde uma de suas grandes atrações turísticas, o que deve impactar rapidamente em sua economia. Isto prova que investir em educação ambiental e em soluções sustentáveis que visem a proteção do meio ambiente e a redução do consumo é o melhor caminho. Depois, não adianta querer aplicar soluções paliativas para resolver momentaneamente o problema. É muito imediatismo, muita falta de visão.

Abaixo, tweet do Info Chile, de maio de 2018, que mostrou dois momentos do Lago Aculeo: ainda com bastante água e visivelmente reduzido. Em 2017, diversos jornais noticiaram que o lago tinha apenas 80 centímetros de profundidade. Agora, secou de vez, como mostra a foto que abre este post. Muito dramático.

https://twitter.com/Info5Chile/status/992795835606986754

Fotos: jreyes220/Trip Advisor

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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