Jornal britânico The Guardian não aceitará mais publicidade de empresas de combustíveis fósseis

Jornal britânico The Guardian não aceitará mais publicidade de empresas de combustíveis fósseis

O mais respeitado jornal do Reino Unido, o The Guardian, anunciou na semana passada que não irá mais aceitar publicidade de empresas que investem na exploração de combustíveis fósseis, como petróleo e gás.

“Nossa decisão é baseada nos esforços de muitas décadas desse setor para impedir ações climáticas significativas por governos em todo o mundo”, afirmaram as executivas do jornal Anna Bateson e Hamish Nicklin.

O The Guardian sabe que a medida chega em um momento delicado para a imprensa mundial, que encontra formas de tentar sobreviver. Em diversos países, jornais impressos têm anunciado seu fechamento. Com o boom da era digital, o jornalismo tradicional tem enfrentado uma dificuldade enorme em encontrar seu novo espaço.

E é de conhecimento de todos que as companhias petrolíferas sempre foram uma das principais fontes de renda publicitária da grande mídia.

“O modelo de financiamento para o The Guardian – como a maioria das empresas de mídia de alta qualidade – continuará sendo precário nos próximos anos. É verdade que a rejeição de alguns anúncios pode tornar nossas vidas um pouco mais difíceis no curto prazo. No entanto, acreditamos que a construção de uma organização mais objetiva e a manutenção financeira sustentável precisam andar de mãos dadas”, admitiram as executivas.

Em outubro do ano passado, o jornal sueco Dagens ETC, também anunciou que não aceitaria mais publicidade associada a combustíveis fósseis.

“O Dagens ETC é um jornal verde. Priorizamos a questão climática porque é mais importante do que qualquer outro tema. Simplesmente não podemos publicar anúncios para a indústria de combustíveis fósseis. Essa é uma decisão que tivemos que tomar e que talvez tenhamos demorado muito a fazer. Mas a partir de agora, o Dagens ETC está removendo toda a publicidade de combustíveis fósseis. Nossos assinantes nunca mais verão um anúncio desses bens ou serviços em nosso jornal”, declarou Andreas Gustavsson, editor chefe da publicação na época.

Para os proprietários e membros do conselho, a decisão de não veicular mais propaganda de companhias ou serviços que usem combustíveis fósseis (petróleo, diesel, carvão) é importante para manter a credibilidade do veículo e a coerência com aquilo que publicam.

“Uma política de publicidade restritiva significa que teremos um impacto financeiro, mas também estou convencido de que essa será uma decisão sábia a longo prazo. Isso é do interesse de nossos assinantes, nossos repórteres, nossos anunciantes amigos do clima e nossa credibilidade.
Imagine este texto acompanhado por um anúncio de, digamos, voos baratos para as Maldivas. Simplesmente não é aceitável”, destacou Andreas.

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Foto: domínio público/pixabay

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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