Jogo do suicídio viraliza e alerta para vulnerabilidade (e depressão) dos jovens pelo mundo


Suicídio
é tabu em nossa sociedade, mas vem sendo muito citado nas últimas duas semanas, com um detalhe: focado nos jovens.

Um dos motivos para o debate acirrado sobre o tema nas redes sociais é a nova série produzida pela Netflix – 13 Reasons Why -, que aborda o bullying e revela detalhes da morte de uma garota, provocando opiniões contrárias nas redes e na mídia. Há quem considere a série um alerta contra a prática e seus possíveis desfechos. Aqui, a maioria é formada por adolescentes que sobreviveram às maldades dos colegas. Também há quem diga que se trata de algo muito perigoso justamente por revelar o suicídio da menina em todas as suas nuances, o que poderia incentivar alguns jovens.

Não assisti a série – nem sei se vou -, por isso não posso opinar com tanta propriedade a respeito. Escrevo com base em tudo que tenho lido na internet: notícias e comentários de pessoas em quem confio e jovens com os quais convivo.

O segundo motivo é mais perigoso, sem dúvida, já que incita os participantes de um jogo virtual a se matarem no final. Isso mesmo! Parece loucura, e é. Todo cuidado é pouco, por isso, não ignore qualquer mensagem estranha (veja abaixo alguns sinais e o que fazer) de pessoas de sua convivência nas redes sociais, principalmente jovens.

Baleia Azul (Blue Whale) é o nome do jogo lançado na Europa, que “conquistou” adeptos radicais na Rússia (a onda de suicídios de jovens tem chamado a atenção por lá) e já chegou ao Brasil. E não tem nada de pegadinha, não! Quem adere sabe que, pra vencer, é preciso se matar!!

E o que leva um jovem a aderir a um jogo cujo objetivo é o suicídio? O friozinho na barriga de participar de algo perigoso? Já ter pensado nisso diversas vezes e não encontrar um motivo real para cometê-lo? Mostrar sua força? Chamar a atenção?

O fio condutor, sem dúvida, é o desequilíbrio emocional, que pode ser identificado e causado de N formas: depressão, solidão, rejeição, bullying… Seja o que for – e aqui cabe perguntar onde andam seus pais, não? -, o fato é que os jovens estão se inscrevendo nesse jogo absurdo para acabar com suas vidas ou arriscar a fazê-lo. E mais: “inspirando” outros jovens a fazer o mesmo.

Pouco se sabe sobre os criadores desse invento doentio, mas além de sádicos e perversos, também são muito persuasivos. Chegue ao final trágico ou não, as consequências para o participante são sempre devastadoras. Não há escapatória.

Se o jovem completa sua missão, é sinal que se matou. Se desiste, pode se sentir em dívida com o curador do jogo (que comanda o desafio e o humilha procurando convencê-lo a chegar às ultimas consequências) ou se considerar incapaz e, assim, permanecer atormentado por não ter finalizado as tarefas para as quais se propôs, se comprometeu.

O jogo dura 50 dias e as missões são divulgadas pelo orientador durante a madrugada, por volta das 4h20. Segundo especialistas, esse é o horário em que mais ocorrem suicídios no mundo. Ou seja, tudo foi pensado nos mínimos detalhes…

Quando cumpre a tarefa – o repertório é muito variado e inclui 24 horas de filmes de terror e sessões de automutilação ou autoflagelação (como desenhar uma baleia azul no braço com uma faca ou estilete, como mostra a foto) -, o participante deve provar que a realizou, de forma subliminar e em público. Só depois de cumprir todos os desafios é que recebe a missão final.

Foi assim com uma garota russa de 15 anos. Analisando suas redes sociais, é possível ver pistas de sua participação no jogo, mas os pais, amigos e pessoas próximas só perceberam o teor das mensagens depois de seu suicídio. Mas nem sempre o final é triste: um garoto, também russo, foi salvo no momento em se preparava para se atirar do prédio onde morava.

Como ajudar

Portanto, se você identificar qualquer comportamento estranho de alguém conhecido – principalmente de pré-adolescentes e adolescentes -, não ignore. Pode ser um pedido de ajuda, uma forma de chamar a atenção.

Compartilhe o fato com alguém próximo (seu ou da pessoa) pessoalmente e não em sua timeline. Espalhe esta notícia e todas as informações que tiver sobre o jogo Baleia Azul entre pessoas de seus círculos de amizade, familiar, em seu condomínio, na escola… Isto é muito sério!

Também é possível utilizar um serviço lançado pelo Facebook em 2016: uma ferramenta para prevenção de suicídio, criada em parceria com o CVV – Centro de Valorização da Vida. Por meio dessa ferramenta, usuários podem indicar posts suspeitos – relacionados a suicídio ou automutilação – de amigos ou conhecidos.

O material é analisado por uma equipe da rede social, que trabalha ininterruptamente e, a partir da indicação recebida, escolhe a melhor forma de agir. Eles podem entrar em contato direto com a pessoa suspeita dizendo que há amigos preocupados com ela em função de suas postagens na rede e dar-lhe orientação caso assuma que considera o suicídio uma saída para sua aflição.

A equipe do Facebook também pode orientar a pessoa que fez a denúncia a enviar mensagem direta para o amigo ou para outra pessoa que poderá ajudar, indicando a melhor forma de falar sobre isso.

Foto: Wokandapix/Pixabay

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.

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