Joenia Wapichana, advogada e primeira deputada federal indígena, recebe prêmio da ONU de Direitos Humanos

Ela foi a primeira mulher indígena eleita deputada federal por Roraima, com 8.491 votos nas eleições deste ano, como já noticiamos aqui, no Conexão Planeta. A única em 194 anos de Câmara. Na semana passada (25/10), Maria Fernanda Espinosa, a presidente da Assembleia Geral da ONU, anunciou que Joenia Batista de Carvalho – a Joenia Wapichana, como é mais conhecida graças à sua etnia- está entre os vencedores do prêmio que reconhece realizações e conquistas de pessoas e organizações pelos direitos humanos. Os outros são da Irlanda, Tanzânia e Paquistão.

Em entrevista à ONU em Boa Vista, ela dedicou o prêmio a todas as mulheres indígenas, dizendo: “Quando levo a palavra como primeira mulher indígena formada no Brasil, é justamente para dar um incentivo, para que essa minha imagem possa ser reproduzida, multiplicada dentro dos povos indígenas”.

Sobre o reconhecimento, declarou: “Este prêmio vai fazer com que o mundo preste atenção que os povos indígenas são detentores de direitos, que têm seus valores, não somente aquele olhar de cobiça para as terras indígenas”. E completou sobre os vencedores: “São cidadãos, pessoas que querem fazer parte da tomada de decisões de muitos processos que estão sendo discutidos dentro dos países, são defensores de direitos, de conhecimentos, de vários saberes. A gente vai fazer também com que as crianças possam viver este exemplo. E eu entendo que este reconhecimento vai servir também para nos proteger”.

Em 2008, Joenia se tornou a primeira advogada indígena a comparecer perante o Supremo Tribunal Federal (STF) depois que defendeu o processo de demarcação em área contínua da Reserva Raposa Serra do Sol na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Na ocasião, ela fez pronunciamento histórico.

Em 2013, foi nomeada primeira presidente da Comissão Nacional de Defesa dos Direitos dos Povos Indígenas.

Joenia Wapichana também é mestre pela Universidade do Arizona, nos EUA.

O prêmio

Este ano se comemoram os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e 52 anos do prêmio, criado pela Assembleia Geral da ONU e que já foi concedido ao pastor norte-americano Martin Luther King, ao ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela e à ativista paquistanesa Malala Yousafzai, entre outros ativistas, além das organizações Anistia Internacional e Comitê Internacional da Cruz Vermelha. 

A escolha dos vencedores é feita por um comitê especial integrado pela presidente da Assembleia Geral, pelo presidente do Conselho Econômico e Social da ONU e pelo presidente do Conselho de Direitos Humanos, entre outros nomes.

Este ano, o prêmio recebeu mais de 300 candidaturas e a entrega será realizada em 10 de dezembro, Dia dos Direitos Humanos, na sede das Nações Unidas, em Nova York.

Parabéns para Joenia!!!

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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