Javier Bardem vai à ONU para reivindicar a criação de um tratado global pela proteção dos oceanos

O ator espanhol Javier Bardem é conhecido ambientalista. Em janeiro do ano passado, partiu de Punta Arenas, no Chile, a bordo do barco quebra-gelo Artic Sunrise da ONG Greenpeace. Viajou durante sete dias para conhecer as profundezas do Oceano Antártico numa cápsula submarina e integrar campanha internacional da organização pela proteção de um santuário marinho (foto abaixo), uma área de 1,8 milhão de quilômetros quadrados entre a Antártida e Argentina.

Ouça Bardem, no final deste post, em tweet divulgado pelo Greenpeace sobre essa aventura.

Esta semana, em 19 de agosto, na companhia dos ativistas do Greenpeace, ele fez discurso apaixonado na Times Square e, em seguida, participou da terceira sessão de uma conferência intergovernamental, lançada em setembro do ano passado e que, agora, vai até o dia 30. Na sede da ONU, em Nova York, exigiu a criação do Tratado Global dos Oceanos que resulte em uma rede mundial de santuários marinhos e que possa proteger 30% dos oceanos até 2030.

Talvez tenha sido mais ouvido na rua do que durante a conferência, mas não se deixou influenciar. Sua participação foi bem divulgada na internet, nas redes sociais.

“Nossos oceanos estão à beira do colapso e todos somos em parte culpados. Agora também todos devemos fazer algo para detê-lo”, disse Bardem, reivindicando que os delegados que representantes os estados-membros das Nações Unidas ajam “aqui e agora”.

A intenção do Greenpeace e de Bardem é provocar reflexões e discussões que levem ao lançamento, em 2020, de um tratado sobre as águas internacionais, que cobrem cerca de 46% da superfície do planeta e não estão protegidas ambientalmente. Para tanto, em sua fala, Bardem ainda destacou as grandes questões enfrentadas pelos oceanos, que alteram seu ecossistema profundamente e de forma irreversível: mineração em fundos marinhos, prospeções para buscar petróleo e recursos genéticos, contaminação por plásticos, acidificação das águas e aquecimento global.

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar foi adotada em 1982, na Jamaica, e estabelece os princípios gerais da exploração dos recursos naturais do mar, como recursos vivos, do solo e do subsolo, mas não regula atividades em alto mar. Chamada de Constituição dos Oceanos, teve a adesão de 168 estados-membros da ONU – do total de 193 -, mas entre eles ainda há países que não a ratificaram.

Os Estados Unidos não chegaram a assinar o tratado e, nesta era Trump, certamente não o fará. O Brasil, ratificou a Convenção em dezembro de 1988, com ajustes. Não há noticias sobre sua participação com representantes do governo atual.

Assista ao vídeo produzido pelo jornal El País, com legendas em espanhol, que mostra suas declarações durante a conferencia e em público, na Time Square. Em seguida, assista ao vídeo que o Greenpeace divulgou logo depois da viagem à Antártica.

Foto: Greenpeace/Divulgação

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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