Jardim de estação de trem, em Paris, foi escolhido para ser batizado com nome de Marielle Franco

Como contei, aqui no site, em março, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, aceitou a proposta do coletivo Rede Europeia para Democracia no Brasil (REDE.Br) para batizar espaço público da cidade com no nome de Marielle Franco, vereadora carioca e ativista dos direitos humanos, assassinada no ano passado Hidalgo levou a ideia para votação do Conselho Municipal de Paris, que a aprovou por unanimidade, no início deste mês. Só faltava encontrar o lugar perfeito para a homenagem.

Esta semana, em 16/4, a comissão responsável pela denominação de ruas da prefeitura da capital francesa anunciou que encontrou o local. Fica na região central da cidade, como era desejado: na Gare de l’Est, uma das principais estações de trem da capital francesa. A historiadora Juliette Dumont, da RED.Br explica a escolha do local: “Era importante que fosse numa área ainda popular da cidade”.

Assim, caso a proposta seja ratificada pelo conselho do 10o. distrito, onde fica o espaço, e depois, novamente, pelo Conselho de Paris, o terraço verde receberá a placa com o nome de Marielle.

Insultos

A cada notícia que divulgamos sobre a homenagem que a prefeitura de Paris tem feito à Marielle Franco em nossa página no Facebook, inúmeros são os insultos que se seguem, tanto ao nosso trabalho como à ativista. A maioria é proferida por simpatizantes do governo Bolsonaro, outros – nem sempre insultos – por brasileiros que se indignam porque ela não é a única ou talvez a que mais merecesse qualquer honraria. Muito menos em outro país.

Sem dúvida, Marielle não é a única. Todas as pessoas que morreram por motivos políticos, sociais, crimes ou em tragédias provocadas pelo descaso de empresas como a Vale e a Samarco, devem ser lembradas, jamais esquecidas. No entanto, o que as pessoas que protestam contra a homenagem à Marielle não se dão conta é que ela representa muito mais do que a ativista incansável que foi. Representa cada cidadão citado por eles, representa o direito de cada um de nós de ir e vir e de lutar pelo que acredita e pela vida, o direito de desejarmos uma vida digna e justa para todos.

Então, toda vez que ela for homenageada, falaremos a respeito. Como fizemos em 16 de março, quando a prefeita de Paris anunciou apoio à homenagem. E, depois, em 2 de abril, quando atualizei a mesma notícia com a informação de que a proposta havia sido aprovada pelo Conselho de Paris.

Vale abrir parênteses aqui para explicar que não é à toa o apreço de Hidalgo por Marielle. A ativista era conhecida no mundo por sua militância a favor dos direitos humanos, tendo participado de movimentos e encontros internacionais. A prefeita de Paris a conhecia e admirava. Chegou a tuitar cobrando a punição dos responsáveis por sua morte.

Quando Marielle foi assassinada, a prefeitura instalou um grande retrato seu na fachada do prédio. Tudo merecido. Em nome de todos os brasileiros que lutam pela vida e morrem por isso, ou por consequência da falta de segurança e da promoção da violência em nossas cidades.

Ilustração: Divulgação REDE.Br
Foto: Divulgação/Prefeitura de Paris

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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