Investimento global em energias renováveis bate recorde em 2015

investimento recorde em energias renováveis - mulher com painel solar na Índia

Finalmente uma notícia boa. Os números são para serem celebrados! O investimento em fontes de energia limpa chegaram a US$286 bilhões no ano passado. Este valor é mais do que o dobro do que foi investido na geração de gás e carvão no mesmo período. Nada menos que 147 gigawatts (GW) de eletricidade – produzida a partir de fontes sustentáveis e renováveis – chegaram às redes de distribuição do mundo todo em 2015: um recorde histórico! O número é tão significativo que representa a capacidade total de geração de energia de todo continente africano e 23% da demanda global por eletricidade.

As boas novas foram divulgadas pelo relatório Renewables 2016 Global Status Report, elaborado pela rede internacional REN21, e publicado desde 2005. A análise é feita a partir da produção de energia de 148 países, que juntos, possuem 92% do PIB global e onde está concentrada 95% da população mundial.

O setor de energia solar foi o que mais recebeu dinheiro no ano passado, segundo o estudo. Ele representou 56% dos investimentos, seguido pelo eólico (energia produzida a partir do vento), com 38%. Este é o segundo ano consecutivo de recordes nestes dois segmentos.

“O que é mais impressionante é que este resultado ocorre em uma época em que o custo dos combustíveis fósseis (petróleo, carvão e gás) atinge uma queda histórica e as fontes renováveis ainda sofrem com uma desvantagem significativa em termos de subsídios governamentais. Para cada dólar gasto para impulsionar renováveis, quase quatro dólares ainda são usados para manter nossa dependência nos combustíveis fósseis ”, disse Christine Lins, diretora chefe da REN21, ao The Guardian.

Mas este cenário pode estar prestes a mudar na próxima década. A divulgação destes extraordinários números pelo relatório internacional coincidemcom o momento em que os grupos de países desenvolvidos, como o G7, se comprometem a aumentar o investimento nas energias limpas. Em encontro realizado esta semana, no Japão, os líderes de Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unidos e Estados Unidos assinaram declaração conjunta em que afirmam que vão acelerar a transição entre para a economia de baixo carbono, ou seja, a geração de energia que não emita gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e metano, na atmosfera. Entre os pontos acordados por estes países está o fim do subsídio aos combustíveis fósseis até 2025.

O mercado privado também tem feito sua parte para estimular o crescimento do segmento renovável. De acordo com o Renewables 2016 Global Status Report, em 2015 houve sólido desenvolvimento de novas tecnologias, aumento do uso das linhas inteligentes de transmissão e distribuição de eletricidade, além da criação de softwares e hardwares que ajudem a integração da energia verde e sua comercialização.

Não é de admirar então que, o setor de renováveis foi responsável pela geração de 8,1 milhões de empregos diretos e indiretos. A maior parte deles está na fabricação de painéis solares e biocombustíveis. Dados do relatório indicam que estes postos de trabalho estão concentrados, sobretudo, em países como China, Índia, Estados Unidos e Brasil (veja mais detalhes logo abaixo).

Investimento global em energias renováveis

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Fonte: gráficos “Renewables 2016 Global Status Report”

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Foto:
Knut-Erik Helle/ Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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