Inspiração para Inovar

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Texto originalmente publicado no jornal O Globo de 24/2/2016*

Tradicionalmente, grande parte da inovação nos últimos séculos se deu por quatro forças: segurança e guerras, enfrentamento de grandes pestes e doenças, produção de alimentos e ganhar dinheiro. A corrida espacial e o desenvolvimento das comunicações (satélites, celular e internet), por exemplo, surgiram de projetos militares, assim como os conservantes foram gerados pela necessidade de dar vida mais longa a alimentos. As vacinas o mapeamento do genoma são produtos da necessidade de enfrentamento de surtos de doenças e outros problemas de saúde.

Mas, nos últimos anos, uma nova fonte de inspiração tem direcionado as mais significativas inovações de nosso tempo: sustentabilidade e inclusão. Esta tendência é particularmente forte no mundo das startups.

Se nos anos 90 o grande motor de inovação nestas empresas era escalar uma ideia para ganhar muito dinheiro, hoje vemos centenas de iniciativas voltadas para resolver problemas reais e concretos para o planeta e para o bem-estar das pessoas em escala global.

Elon Musk, talvez o maior inovador de nosso tempo, tem como visão a necessidade de enfrentarmos a questão climática acabando com a era dos combustíveis. Para tanto, investe em viabilizar os automóveis elétricos e a geração de energia solar com as duas principais empresas do setor. Considera que temos que contar com uma alternativa planetária caso algum cataclismo impeça a vida na Terra e, para tanto, está promovendo uma revolução na indústria espacial a fim de viabilizar a colonização de Marte.

Milhares de empreendedores estão trabalhando para gerar soluções para a gestão de resíduos sólidos, promover reflorestamento de áreas degradadas e a geração de energia distribuída para acesso às regiões mais remotas do planeta, entre outras centenas de iniciativas.

Este processo é retroalimentado por uma das grandes inovações da última década, que são as iniciativas de produção e financiamento coletivos (crowdsourcing e crowdfunding). Elas se inspiram justamente no interesse da sociedade em viabilizar inovações com propósito e, assim, criam um ambiente de retroalimentação virtuoso.

Outra inovação da última década são as maratonas de soluções de problemas em que grupos de diferentes origens se reúnem para criar recursos e aplicativos para resolver questões concretas do dia a dia das cidades, ou de um grupo de interesse especifico.

Em algumas décadas, ao olharmos para trás, perceberemos uma fase iluminada de nosso desenvolvimento, quando nos inspiramos no desejo de mudar o mundo para o bem de todos.

*Texto também publicado no Blog do Tasso

Foto: Designati/Pixabay

Engenheiro florestal, consultor e empreendedor social em sustentabilidade, floresta e clima. Coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima e colunista de O Globo e revista Época Negócios. Foi diretor geral do Serviço Florestal Brasil, diretor executivo do Imaflora e curador do Blog do Clima

Tasso Azevedo

Engenheiro florestal, consultor e empreendedor social em sustentabilidade, floresta e clima. Coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima e colunista de O Globo e revista Época Negócios. Foi diretor geral do Serviço Florestal Brasil, diretor executivo do Imaflora e curador do Blog do Clima

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