Ingleses devolvem a fabricante milhares de pacotes de salgadinho em protesto contra embalagens não-recicláveis

Ingleses devolvem milhares de embalagens de salgadinho para fabricante em protesto contra embalagens não-recicláveis

O correio da Inglaterra está ficando maluco. Tudo porquê uma campanha online convidou os britânicos a protestar contra as empresas fabricantes de salgadinhos, mais especificamente batatas-fritas – ou crisps, em inglês britânico, uma paixão naquele país -, que ainda hoje, vendem seus produtos em embalagens que não podem ser recicladas.

Como a marca líder do mercado inglês, a Walkers, da multinacional Pepsico, oferece porte pago para seus consumidores, ou seja, eles não precisam pagar pelas correspondência enviadas para a empresa, milhares de pessoas aderiram à campanha lançada pelo site 38 degrees e estão enviando as embalagens pelo correio de volta ao fabricante em forma de protesto. E como o pacote está endereçado ao Serviço de Atendimento ao Consumidor, o correio é obrigado, por lei, a entregar a “carta”.

A Walkers tinha assumido o compromisso de mudar suas embalagens até 2025, mas os organizadores da campanha afirmam que o prazo é longo demais.

Por ano, 6 bilhões de pacotes de salgadinhos são consumidos somente no Reino Unido. Assim como na grande maioria de outros países, eles não são reciclados. Acabam então em aterros sanitários, lixões e nos oceanos. Embalagens com mais de 30 anos já foram encontradas intactas nestes lugares (leia mais sobre o assunto neste outro post).

Consumidores compartilham o protesto nas redes sociais

Até o momento, mais de 300 mil pessoas assinaram a petição online que pede que a Walkers e outras fabricantes mudem o material utilizado o quanto antes.

A campanha foi criada por um engenheiro aposentado, Geraint Ashcroft, que adora batatas fritas, mas ficou completamente desolado quando descobriu que as embalagens não era recicláveis. “Ninguém quer que os pacotes acabem em aterros sanitários, mas eles (Walkers) prometem torná-los biodegradáveis e nada nunca acontece”, disse em entrevista a um programa na Inglaterra.

No Twitter, as pessoas compartilham a hashtag #PackInWalkers e mostram as fotos do envio das embalagens.

“No país inteiro, as pessoas estão dizendo para a Walkers para fazer alguma coisa sobre o lixo plástico. Eles produzem inacreditáveis 7 mil pacotinhos de batata por minuto, mas não pagam um centavo pela coleta dos mesmos. A empresa precisa ouvir seus consumidores e fazer algo agora”, alertou Cathy Warren, da 38 Degrees.

Milhares de ingleses aderiram à campanha #PackInWalkers

Em agosto do ano passado, mostramos uma iniciativa semelhante que aconteceu aqui no Brasil. Cansada de ser ignorada por uma empresa de leite sobre o impacto de suas embalagens no meio ambiente, a jornalista Carolina Tarrio fez uma ação, que virou a campanha: “Gostamos de leite. De lixo, não!”. Assine o abaixo-assinado contra o uso de garrafas plásticas.

Se mais consumidores agirem como a Carolina e os ingleses, certamente as empresas serão pressionadas a mudar. Em ações como estas, ainda mais com o uso das redes sociais, o poder do coletivo é muito mais forte!

Na Inglaterra, houve o caso também de um jornalista e apresentador de TV, Hugh Fearnley-Whittingstall, que iniciou uma campanha nas redes sociais em que estimulava as pessoas a mostrar a quantidade absurda de embalagens que a Amazon utilizava para enviar seus produtos. A iniciativa fez parte de um programa e a companhia se viu obrigada a responder ao questionamento e prometeu rever o volume de papel e caixas usado.

*Com informações do jornal Independent  

Fotos: reprodução Twitter 

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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