Infâncias e Naturezas: seminário reflete sobre o olhar para a diversidade social e ambiental. Inscreva seu projeto!

Se há uma característica que define nosso país é a diversidade. Desde os primórdios de nossa história somos constituídos por esse valor. Quando falamos “nossa história” fica até difícil precisar quando ela começa. Muito antes da chegada dos europeus em nosso continente já havia milhares de povos diferentes que constituíam uma grande rede de trocas entre si.

Carlos Fausto, antropólogo do Museu Nacional, em seu estudo sobre a pré-história do continente americano, aponta que “sistemas sociais indígenas existentes às vésperas da conquista não estavam isolados, mas articulados local e regionalmente”. 

O site Pibmirim, organizado pelo Instituto Socioambiental, menciona que antes da chegada dos portugueses ao Brasil, havia entre 2 e 4 milhões  de índios, que pertenciam a mais de mil povos e falavam mais de mil línguas diferentes. Apesar do processo de colonização vivido no Brasil ter reduzido os povos indígenas a uma população de cerca de 900 mil pessoas, divididas em 250 povos que falam cerca de 150 línguas diferentes, ainda estamos diante de uma enorme diversidade.

Soma-se a essa diversidade já presente a chegada de novas populações ao continente: portugueses, africanos de origens étnicas diversas, imigrantes japoneses, italianos e muitos outros que ainda chegam ao Brasil.

Se do ponto de vista humano encontramos essa diversidade social, do ponto de vista territorial também não é diferente. Nosso país é composto por vários biomas e paisagens e também por diferentes cenários urbanos, que determinam variadas formas de interação com o ambiente natural definidas, entre outros fatores, pela qualidade e biodiversidade da natureza e também pela desigualdade social.

Há bairros áridos, não arborizados e com ausência de vegetação. Há bairros com uma natureza bastante controlada com fins estéticos e decorativos. Há áreas com natureza degradada e abandonada e outras com natureza abundante e rica.

Essa diversidade influencia a qualidade da interação da criança com o ambiente natural.

Por isso, quando pensamos na relação entre criança e natureza, temos que levar em conta que não estamos falando de uma única natureza de relação, mas das múltiplas formas como essa relação acontece. Assim, seria mais adequado falarmos em infâncias e naturezas. Foi pensando nisso que escolhemos para nosso seminário anual o tema Infâncias e Naturezas: um olhar para a diversidade social e ambiental.Queremos trazer à luz a diversidade de vivências das crianças com as naturezas presentes nas cidades.

Pela primeira vez estamos abrindo espaço para apresentação de trabalhos, pesquisas e experiências durante o Seminário. Faremos uma exposição de painéis com os trabalhos selecionados, acreditando que há muita gente trabalhando para valorizar a relação entre a criança e a natureza e analisando a fundo a realidade de nosso país, a fim de enfrentar a complexidade de situações vividas hoje nas infâncias brasileiras.

O seminário é uma correalização do programa Criança e Natureza com o SESC Nacional, e ocorrerá no Rio de Janeiro, em 10 e 11 de junho, no Teatro SESC SENAC em Jacarepaguá. Convidamos você a participar dessa jornada e compor essa rede de trabalhos que valorizam as múltiplas infâncias e naturezas que formam um dos nossos maiores patrimônios: a diversidade.

E aí, vamos com a gente? Para inscrever o seu trabalho, acesse o edital completo, com todas as informações e depois, preencha o formulário para submissão de trabalhos.

Foto: Divulgação/Alana

Paula Mendonça

Mestre em educação pela Universidade de São Paulo, com pesquisa sobre infância indígena. Atuou cerca de 10 anos no Parque do Xingu por meio do Instituto Socioambiental. É co-diretora do curta metragem Waapa, realizado em parceria com o Projeto Território do Brincar. É assessora pedagógica do Programa Criança e Natureza do Alana. Mãe da Nina e Luana.

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