Indústrias petrolíferas fazem investimento bilionário em novas fábricas de plástico nos Estados Unidos

Indústrias petrolíferas fazem investimento bilionário em novas fábricas de plástico nos Estados Unidos

As gigantes multinacionais ExxonMobil e Shell são algumas das empresas do setor de petróleo que estão construindo novas plantas de produção de plástico nos Estados Unidos. De acordo com o Center for International Enviromental Law (CIEL), a redução do preço do gás de xisto e, seu consequente boom naquele país, fez com que empresas do setor de combustíveis fósseis investissem em torno de US$ 164 bilhões em 264 novos projetos de expansão para a fabricação de plástico.

Com isso, especialistas alertam que haverá um aumento de 40% na produção global deste tipo de matéria-prima.

Ainda segundo a CIEL, 99% do plástico produzido no mundo é feito com químicos provenientes de combustíveis fósseis. Vale lembrar que a queima destes últimos é tida como a principal causa para o aquecimento da superfície da Terra, já que durante este processo são emitidos gases de efeito estufa, que ficam aprisionados durante séculos em nossa atmosfera.

Como a indústria petrolífera está intimamente ligada com a de plástico, a produção dos dois acontece, geralmente, nos mesmos lugares. Nos Estados Unidos, por exemplo, ela ocorre na Costa do Golfo.

O Texas vai abrigar em breve a maior fábrica de plástico do mundo. Em parceria com a estatal árabe Saudi Basic Industries Corporation (Sabic), a ExxonMobil colocará em funcionamento a planta de US$ 10 bilhões, que recebeu subsídios do governo para sua instalação (o Texas é um estado tradicionalmente republicano, mesmo partido do presidente Donald Trump, que acredita que as mudanças climáticas não existem…)

A planta texana terá capacidade para produzir, por ano, 1,8 milhão de toneladas de etileno, a partir do qual pode-se fabricar um grande número de polímeros (plásticos).

Os moradores do Texas já estão preocupados com a poluição do ar que será gerada. Estudos iniciais indicam que, quando todos os projetos anunciados estejam finalizados, será emitido algo em torno de 216 milhões de toneladas de gases de efeito estufa por ano.

“Estamos diante de décadas de expansão da indústria do plástico justamente em um momento em que o mundo se dá conta que precisamos usar cada vez menos este material”, diz Carroll Muffett, presidente do CIEL.

Um estudo publicado pela revista Science, em 2015, revelou que oito milhões de toneladas de resíduos plásticos são jogadas nos oceanos por ano e 5,2 trilhões de fragmentos deste material sintético estão boiando ou depositados no fundo do mar, indo parar, inevitavelmente, no estômago de peixes, baleias e outros animais marinhos e também, nos nossos.

Cientistas afirmam que, no futuro, nossa época será conhecida como a do “Plasticídio”.

Em setembro deste ano, a organização e plataforma digital de jornalismo Orb Media fez o primeiro estudo científico internacional para descobrir se a água que sai de nossas torneiras contêm partículas plásticas.

O resultado, divulgado no artigo Invisibles – The plastic inside us (Invisíveis – o plástico dentro de nós, em português), revela que em 83% das amostras de água de torneira analisadas, em dezenas de países ao redor do planeta, apresentavam fibras de plástico.

Nos Estados Unidos, este porcentual foi ainda mais alto: 94%. Na Europa, o estudo apontou que 72% das amostras possuíam micropartículas de plástico. A pedido do jornal Folha de São Paulo, a Orb Media também avaliou a água das torneiras brasileiras Das dez amostras, nove continham fibras.

Alguns cientistas alertam que já chegamos em um ponto irreversível da poluição de plástico na Terra. E ainda assim, mais fábricas serão inauguradas nos Estados Unidos? Parece piada. Infelizmente, não é.

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Foto: Paolo Margori/Creative Commons/Flickr

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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