Índices inacreditáveis de poluição são encontrados no abismo mais profundo dos oceanos

Índices inacreditáveis de poluição são encontrados no abismo mais profundo dos oceanos

Nem um lugar mais do planeta parece estar protegido dos impactos da ação humana sobre a Terra. Cientistas da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, divulgaram um artigo na publicação Nature Ecology & Evolution em que revelam que foram detectados índices impressionantes de poluição química no fundo das Fossas Marianas, o abismo mais profundo dos oceanos.

Localizadas no Oceano Pacífico, a leste das Ilhas Marianas, as fossas ficam entre placas tectônicas e têm uma profundidade de mais de 11 mil metros. O que mais chocou os pesquisadores foi o altíssimo nível de contaminação química encontrado nos crustáceos do local. Testes feitos com anfípodes, um tipo de camarão minúsculo, demonstraram que eles apresentavam contaminação de poluentes orgânicos persistentes (POPs, na sigla em inglês) 50 vezes superior a de caranguejos que habitam um dos rios mais poluídos da China.

Esta espécie da poluente não se dispersa no meio ambiente, resistindo à degradação química, fotolítica e biológica. É altamente tóxica para organismos vivos, incluindo o homem.

Entre os POPs encontrados nos crustáceos das Fossas Marianas está o PCB, um composto químico sintético, muito utilizado pela indústria, que descobriu-se, estar associado com o aparecimento de câncer, além de provocar um impacto ambiental de grandes proporções. Por volta da década de 70, seu uso foi proibido em diversos países do mundo, mas estima-se que antes disso, a produção global deste químico chegou a 1,3 milhão de toneladas.

Índices inacreditáveis de poluição são encontrados no abismo mais profundo dos oceanos

Seres vivos que habitam profundezas do oceano estão contaminados com poluentes

O mesmo nível de contaminação por poluentes tóxicos foi descoberto também nas Fossas de Kermadec, próximo à Nova Zelândia, a 7 mil quilômetros de distância do abismo de Mariana e muito, muito longe de qualquer centro urbano. “Ainda pensamos que o fundo do oceano é uma área pristina e remota, protegida do impacto humano, mas nossa pesquisa mostra que, infelizmente, isso está muito longe da realidade”, alertou lan Jamieson, pesquisador chefe do estudo.

No ano passado, no Dia da Terra, pesquisadores da Agência Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA) divulgaram um vídeo em que aparecia o lixo encontrado nas Fossas Marianas, em um mergulho feito por um submarino robótico: latas de presunto, cerveja e sacolas plásticas.

O próximo passo da equipe da Universidade de Newcastle é avaliar o impacto dos resíduos plásticos sobre a vida marinha nas regiões profundas dos oceanos.

“Não é um grande legado que estamos deixando para as próximas gerações”, lamentou Jamieson.

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Fotos: divulgação NOAA

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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