Incêndios provocam mortes e devastação na Grécia, países escandinavos e até, próximo ao Ártico

Incêndios provocam mortes e devastação na Grécia, países escandinavos e até, próximo ao Ártico

Desta vez são os gregos. No verão passado, a tragédia se abateu sobre Portugal, quando dezenas de pessoas encontraram a morte presas dentro de seus carros em meio a um incêndio florestal.

Ontem (23/07) foi a vez de turistas que estavam passando férias em um resort em Mati, perto da capital Atenas, ficarem encurralados quando um incêndio na vegetação pegou a todos desprevenidos. Até o momento, já são 74 mortes confirmadas, vários feridos e outras 700 pessoas tiradas às pressas do local.

O incêndio é considerado o pior da Grécia desde agosto de 2007, quando dezenas de vítimas perderam suas vidas na península do Peloponeso. Os gregos tiveram um inverno muito seco e nas últimas semanas, os termômetros na região de Atenas ultrapassaram os 40oC.

O fogo ainda não foi controlado e o governo europeu pediu ajuda da Comunidade Europeia. Espanha, Turquia e Itália enviaram aviões e helicópteros de reforço e 60 bombeiros de Ciprus foram enviados ao local.

Segundo moradores de Mati, o vilarejo foi completamente destruído. O país decretou três dias de luto oficial.

No ano passado, um estudo lançado do World Weather Attribution (WWA), organização internacional que analisa os impactos das mudanças climáticas sobre o planeta, afirmou que as temperaturas extremas registradas no verão de 2017 nos países europeus deveriam se repetir nos próximos anos (leia mais aqui).

Ao combinar modelos climáticos e médias das temperaturas registradas entre junho e agosto do ano passado, os cientistas chegaram à conclusão de que o chamado Verão de Lúcifer, como ficou conhecida a onda de calor extremo da época, sobretudo na região do Mediterrâneo, foi causado pelos efeitos das mudanças climáticas, provocada pela ação do homem na Terra.

Este ano, os incêndios florestais também atingiram países escandinavos, como a Suécia, devido ao verão extremamente quente e seco, algo bastante atípico. Moradores de algumas cidades foram retirados de suas casas e o país, assim como a Grécia, pediu ajuda aos vizinhos europeus. Na semana passada, foram registrados mais de 60 focos de fogo nas florestas.

Até na Groelândia, Alasca e Sibéria há relatos de incêndios. Segundo especialistas, o fogo é iniciado, muitas vezes, com bitucas de cigarro, carvão de churrasqueiras e até, raios, dado que tempestades tornaram-se mais frequentes com as mudanças climáticas. Quando isso acontece, o solo que já sofre com a seca, incendeia rapidamente.

As autoridades europeias afirmam que os incêndios deste ano estão ocorrendo em áreas que não eram afetadas pelo fogo no passado, que tradicionalmente, acontecia mais no Mediterrâneo.

O calor sem precedentes pode ser visto por toda Europa. A cinza e chuvosa Inglaterra emitiu alerta para a população ficar dentro de casa e não se expor ao sol durante esta semana. Ontem, os termômetros marcaram 33oC, temperatura completamente anormal para o país, mesmo no verão.

*Com informações do jornal The Guardian 

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Foto: Fotos Públicas/Vigili del Fuoco

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou em Zurique, na Suíça, de onde colaborou para diversas publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Info, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Atualmente vive em Londres.

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