Incêndios florestais na Califórnia deixam quase 200 mil pessoas sem casa e mais de 2 milhões sem eletricidade

Incêndios florestais na Califórnia deixam quase 200 mil pessoas sem casa e mais de 1 milhão sem eletricidade

Ano a ano a tragédia se repete. O clima extremamente seco e o vento forte são o estopim para que as labaredas se alastrem. E a dimensão dos prejuízos, ambientais e humanos, aumenta. A temporada dos incêndios florestais no estado americano da Califórnia só está começando e nos últimos dias, 190 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e mais de 2 milhões ficaram sem eletricidade.

E a situação pode se agravar ainda mais. A principal empresa de energia da Califórnia, a Pacific Gas & Electric Corporation (PG&E), já informou que irá desligar seu sistema para evitar que o vento danifique seus equipamentos e provoque explosões e mais incêndios. Com isso, aproximadamente 4 milhões de pessoas poderão ficar no escuro.

Entre as áreas mais afetadas estão a região das vinícolas californianas, o condado de Sonoma e a própria cidade de Los Angeles. Uma grande preocupação é que o fogo atinja o Getty Center, onde está localizado um museu, um centro de pesquisa e uma fundação, que levam o mesmo nome. O local possui uma enorme coleção, com mais de 50 mil obras, entre fotografias e pinturas, algumas datadas da Idade Média, na Europa. Construído para ser à prova de fogo e terremotos, o Getty está em estado de alerta.

Incêndios florestais na Califórnia deixam quase 200 mil pessoas sem casa e mais de 2 milhões sem eletricidade

O fogo avançando sobre as montanhas de Los Angeles

Os incêndios florestais da Califórnia afetam a todos: ricos ou pobres. O jogador de basquete LeBron James, estrela do Los Angeles Lakers, e o ator e ex-governador do estado, Arnold Schwarzenegger, estão entre aqueles que foram obrigados a abandonar suas casas.

Incêndios florestais na Califórnia deixam quase 200 mil pessoas sem casa e mais de 2 milhões sem eletricidade

Bombeiros tentando apagar os incêndios

Incêndios podem piorar

Segundo o Serviço Nacional do Clima dos Estados Unidos, há previsão de “um evento notável e perigoso” dos ventos de Santa Ana no sul da Califórnia – talvez o mais forte nesta temporada – com rajadas de 100 a 110 km/h nos vales e até, 130 km/h, nas montanhas entre hoje à noite e amanhã.

Milhões de californianos estão sob o “alerta vermelho”, entre eles, moradores de Sacramento, São Francisco, San Diego e Los Angeles. Nesta última, as aulas, em pelo menos 16 escolas, foram canceladas.

Mapa com área onde moradores devem deixar suas casas

De acordo com o último levantamento divulgado pelo Los Angeles Fire Department, nesta manhã, apenas 5% do ‘Getty Fire’ tinha sido controlado.

Impactos da crise climática

No ano passado, os incêndios que atingiram a Califórnia foram considerados um dos piores da história. Foram contabilizados 80 mortes. Camp Fire*, como foi chamado o incêndio ao norte, foi um dos mais devastadores. 7.600 casas e construções foram completamente destruídas, sobretudo na pequena cidade de Paradise. Só ali 48 pessoas morreram. Muitas perderam a vida presas em carros, tentando fugir das labaredas ao longo das estradas.

Incêndios florestais na Califórnia não são novidade. Sempre aconteceram porque o clima e a geografia da região são propícios a eles. Todavia, nas últimas décadas, a chamada “estação dos incêndios” está mais intensa e longa. Ela tem durado, em média, 105 dias mais do que nos anos 70.

Um estudo com dados do Federal Emergency Management Agency (FEMA), agência federal que administra desastres naturais nos Estados Unidos, revela que a extensão dos incêndios mais que triplicou entre 1970 e 2010.

E as previsões de especialistas revelam que, até 2050, a duração da estação dos incêndios deve ganhar 24 dias a mais.

Cientistas do clima não têm medo em afirmar que a tragédia que só se agrava na Califórnia, ano a ano, é mais um dos efeitos do aquecimento global, que torna os extremos climáticos (secas, incêndios, furacões e tempestades) mais fortes e frequentes.

*Com informações da CNN e The Guardian

*Os incêndios na Califórnia recebem nomes para que sua identificação seja mais fácil.

Fotos: reprodução Facebook e Instagram Los Angeles Fire Department

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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