Ilha Grande e Paraty ganham título de Patrimônio Mundial da Unesco

Ilha Grande e Paraty ganham título de Patrimônio Mundial da Unesco

Foi anunciada hoje pela manhã a tão esperada notícia: Paraty e Ilha Grande tornaram-se Patrimônio Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Agora os dois sítios no litoral do Rio de Janeiro se juntam à lista de alguns dos lugares mais lindos do planeta, visitados por milhões de turistas todos os anos, e considerados pela entidade como tendo inestimável valor e significado para a civilização moderna.

O anúncio da nomeação foi feito pelo Comitê da Unesco, durante reunião em Baku, no Azerbaijão. Agora, são 22 destinos brasileiros na lista de sítios de ‘excepcional valor universal’.

Ilha Grande e Paraty são as primeiras localidades do Brasil na categoria “sítio misto”, que contempla os quesitos cultura e natureza juntos. É um caso inédito também na América Latina, já que é o primeiro sítio misto do continente onde se encontra uma cultura viva. Todos os demais, como Machu Picchu, no Peru, são sítios arqueológicos em uma paisagem natural.

Riqueza cultural e biodiversidade

Juntas, Paraty e Ilha Grande englobam uma área de quase 150 mil hectares, onde estão localizadas 187 ilhas e quatro unidades de conservação: Parque Nacional da Serra da Bocaina, Parque Estadual da Ilha Grande, Reserva Biológica Estadual da Praia do Sul e Área de Proteção Ambiental de Cairuçu.

“Em Paraty e Ilha Grande, vemos de maneira excepcional e única uma conjunção de beleza natural, biodiversidade ímpar, manifestações culturais, um conjunto histórico preservado e testemunhos arqueológicos importantes para a compreensão da evolução da humanidade no planeta Terra”, afirma a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa.

O centro histórico de Paraty, por exemplo, é uma das relíquias locais. Fundado em 1667, foi tombado em 1958 por sua beleza e importância arquitetônica ao país.

Ilha Grande e Paraty ganham título de Patrimônio Mundial da Unesco

O colorido dos casarios de Paraty

Um dos principais fatores analisados pela Unesco ao dar o título a um sítio é a interação entre homem e meio ambiente.

Segundo o Iphan, que apresentou a candidatura dos sítios brasileiros à organização, na região existem duas terras indígenas, dois territórios quilombolas e 28 comunidades caiçaras, “… que vivem da relação com a natureza, da pesca artesanal e do manejo sustentável de espécies da biodiversidade. Essas comunidades tradicionais mantêm os modos de vida de seus antepassados, preservando a maior parte de suas relações culturais como, ritos, festividades e religiões, cujos elementos tangíveis e intangíveis contribuem para a caracterização do sistema cultural e a relação de seu modo de vida com o ambiente natural”.

Além disso, a natureza nessa área do litoral fluminense tem sido bem preservada. “O sítio apresenta alto grau de espécies endêmicas da fauna e da flora, assim como espécies raras do bioma Mata Atlântica. São 36 espécies vegetais consideradas raras, sendo 29 endêmicas. A área abrange cerca de 45% das aves da Mata Atlântica e 34% dos sapos e pererecas do bioma. Há registros de mamíferos raros e predadores, como a onça-pintada e o muriqui, o maior primata das Américas”.

Ilha Grande e Paraty ganham título de Patrimônio Mundial da Unesco

A região possui 187 ilhas e quatro unidades de conservação

Esta já era a terceira vez que Paraty e Ilha Grande tentavam ganhar o título. Os projetos apresentados até então valorizavam apenas o lado cultural desses destinos. O acréscimo da parte ambiental é que finalmente foi responsável por convencer o comitê da Unesco a conceder o parecer técnico favorável.

A partir de agora, serão elaboradas estratégias de longo prazo para a conservação local. Outro enorme benefício futuro será para o turismo, já que o título de Patrimônio da Humanidade é sempre um atrativo a mais para visitantes.

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Fotos: divulgação Iphan

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.

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