Iceberg com mais de 300 km² – quase o tamanho de Belo Horizonte – se solta da Antártica

Eis mais uma prova importante do aquecimento global! Na semana passada, quinta-feira, 13/2, o serviço europeu sobre mudanças climáticas Copernicus divulgou, em seu Twitter, imagens do desprendimento de um grande pedaço de gelo na Ilha Pine.

No post, é possível observar o histórico de imagens feito pelos satélites da ESA, que capturou rachaduras aparecendo e “rapidamente” crescendo ao longo dos dias. “As rachaduras na geleira da Ilha Pine, na Antártica cresceram rapidamente nos últimos dias, como pode ser visto nesta comparação de 2 e 5 de fevereiro de 2020. Ela está perdendo gelo dramaticamente e experimentou uma série de desprendimentos nos últimos 25 anos”, contou o tweet, que pode ser lido no final deste post.

O cientista Mark Drinkwater, do Centro de Observação da Terra da Agencia Espacial Europeia (ESA), contou à reportagem da CNN que as imagens revelam que a geleira está respondendo de forma dramática às mudanças climáticas. E acrescentou que as temperaturas mais quentes das águas do oceano e a diminuição de nevascas têm causado ainda mais desequilíbrio no sistema glacial, impedindo que algumas geleiras se recuperem, como aconteceria naturalmente.

Outros icebergs grandes e famosos

Claro que este não é o primeiro grande iceberg a se desprender da Antártica: já tivemos três registros.

O primeiro se soltou em fevereiro de 2010: chamado de B09B, tinha cerca de 100 km² e causou a morte de 150 mil pinguins. Viajou até a Baía Commonwealth, leste da Antártica.

O segundo – A68 – se soltou em julho de 2017 e é considerado o maior iceberg à deriva do mundo com 6 mil km² de extensão. Durante um ano, ele quase não se moveu: sua quilha parecia presa no fundo do oceano, mas logo os ventos e as correntezas o empurraram para o norte. No verão, o processo se acelerou e, agora, ele está prestes a entrar em mar aberto, no limite da área do continente onde fica o gelo perene. Falamos dele, aqui, no Conexão Planeta, em janeiro desse ano.

Os cientistas dizem que o A68 não vai chegar inteiro ao oceano Antártico porque sua espessura é muito fina e não aguentará as águas agitadas. “Fico surpreso que as ondas do oceano ainda não o tenham transformado em cubos de gelo”, comentou à BBC o glaciologista Adrian Luckman, da Universidade de Swansea, no Reino Unido. “Ele tem uma proporção entre a área e a espessura equivalente a quatro folhas de sulfite empilhadas.”

O terceiro iceberg – D28 – se desprendeu da plataforma de gelo Amery, em setembro de 2019. Foi o maior nessa área, em mais de 50 anos: tinha 1.636 km², pouco mais que a cidade de São Paulo, e pesava 315 bilhões de toneladas.

Agora, leia o post da agência Copernicus sobre iceberg que se soltou da Antártica na semana passada:

Fotos: Divulgação/Copernicus

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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