Ibama e ICMBio são atacados por desmatadores na Amazônia

Em outubro do ano passado, as sedes do ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Ibama – IInstituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis na cidade de Humaitá, sul do Amazonas, foram incendiadas por garimpeiros, logo depois da descoberta de um garimpo ilegal e a apreensão de instrumentos e balsas, como relatamos aqui, no site. Foi uma reação à Operação Ouro Fino, que fiscaliza a atividade de extração ilegal de ouro no Rio Madeira.

Na sexta e no sábado, 18 e 19/10, as duas instituições foram novamente atacadas.

Na cidade de Buritis, Roraima, a 338 km de Porto Velho, dez viaturas do Ibama, estacionadas em frente a um hotel, foram incendiadas por um homem, que foi preso e autuado por dano ao patrimônio público. Policiais conseguiram controlar o fogo evitando que se espalhasse para outros carros, mas quase não conseguiram conter a fúria de um grupo de homens que se aglomerou no local.

Logo que os carros pegaram fogo, eles começaram a gritar palavras de incentivo ao ato criminoso e romperam o cordão de isolamento. Felizmente, a polícia agiu rápido e prendeu um dos incentivadores.

O motivo do crime? Certamente, operações de combate ao desmatamento ilegal. Segundo a reportagem do jornal Folha de São Paulo apurou, a equipe do Ibama está em Buritis para uma ação que integra o Plano Nacional Anual de Proteção Ambiental (Pnapa).

A instituição pediu apoio da Força Nacional e também da Polícia Militar de Rondônia, que enviou unidade de elite para a cidade.

No ano passado, além do ataque em Humaitá (que relatei no início deste texto), oito caminhonetes do Ibama foram queimadas no sudoeste do Pará, em julho. Elas estavam sendo transportadas num caminhão-cegonha.

Também por causa de uma missão contra o desmatamento, o ICMBio foi atacado na sexta, 19/10, no município de Trairão, Pará, a 1395km de Belém.

Sua equipe estava em missão na Floresta Nacional (Flora) Itaituba2 para verificar desmatamento indicado por satélite e evitar o transporte da madeira extraída. Enquanto estavam a caminho do local, moradores de Bela Vista do Caracol, distrito de Trairão, atearam fogo a uma pequena ponte que fica na única estrada de acesso à região.

Quando chegaram à ponte queimada, os agentes do ICMBio ouviram tiros disparados pelos manifestantes, concentrados numa segunda ponte, a alguns metros dali. Assim que a polícia chegou, conteve os moradores revoltados, enquanto os agentes do órgão ambiental improvisaram uma nova ponte para poderem chegar a Itaituba, escoltados pela polícia.

Os moradores de Bela Vista do Caracol foram identificado por áudios obtidos pelo ICMBio. E pasme!! A economia local ainda depende da extração ilegal de madeira e de palmito. Isso precisa mudar. De que adianta conter o desmatamento se os habitantes da região não têm outro meio de subsistência? A guerra será eterna por lá.

Não dá para afirmar que tais revoltas contra os dois institutos são fruto das declarações do candidato do PSL à presidência do país, mas é natural que se faça esse link. Os agentes do Ibama e do ICMBio acreditam que as declarações de Jair Bolsonaro só aumentam a hostilidade contra os órgãos ambientais da Amazônia.

Não podemos esquecer que, recentemente, ele falou em alto e bom som que os dois órgãos só atrapalham e promovem a “indústria da multa”. Expressão muito usada por quem quer burlar a lei, em qualquer instância. Além disso, o tal candidato declarou que, se eleito, vai “acabar com todos os ativismos no Brasil“.

E tem mais: em 2013, Bolsonaro foi flagrado pelo Ibama pescando em unidade de conservação em Angra dos Reis e, por isso, multado em R$ 10 mil. Para retaliar a ação dentro da lei, ele – que era deputado federal – apresentou projeto que proibia agentes ambientais de portar armas. Mas retirou a proposta absurda logo em seguida e nunca pagou a multa. Belo exemplo, não?

Para agentes do Ibama e do ICMBio, é claro que as declarações de Bolsonaro alimentam a hostilidade contra os órgãos na Amazônia. E as dificuldades ali já não são poucas, como sabemos…

Segundo a Folha de São Paulo, nas regiões dos ataques, o polêmico e violento candidato à presidência recebeu votação acima da média. Em Trairão, obteve 51,9% dos votos válidos e, em Buritis, 69,9%. Muito preocupante.

Foto: Divulgação (ataque ao Ibama, em Buritis)

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

Mônica Nunes

Jornalista com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da conferência TEDxSãoPaulo.

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