Humanidade destruiu 2,5 bilhões da história da evolução de centenas de espécies de mamíferos

Humanidade destruiu 2,5 bilhões de história da evolução de centenas de espécies de mamíferos

Futuras gerações podem não ter a chance de conhecer animais como gorilas, orangotangos, macacos e lemurs. Trezentas espécies de mamíferos já desapareceram do planeta. É o que se considera a sexta grande extinção em massa da vida na Terra. E mesmo que fosse dado um basta ao desmatamento em áreas selvagens, à caça e às mudanças climáticas nos próximos 50 anos, a natureza ainda precisaria de 5 a 7 milhões de anos para se recuperar.

Mas parece que números chocantes não bastam para fazer com que governos e tomadores de decisão tomem alguma atitude urgente. Por isso, um grupo de cientistas dinamarqueses da Universidade de Aarhus, em parceria com colegas suecos da Universidade de Gothenburg, decidiu estudar como a extinção de milhares de animais e plantas está destruindo também a história da evolução dessas espécies, inclusive, a do próprio homem. É como se estivéssemos colocando fogo em nossa árvore genealógica.

Em artigo científico publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, os pesquisadores afirmam que a extinção das 300 espécies de mamíferos corresponde à perda de 2,5 bilhões de história da evolução.

“Estamos fazendo algo que deixará um rastro por milhões de anos após nossa partida. Isso revela a gravidade do que acontece agora. Estamos entrando em uma era de extinção que pode ser comparada àquela que matou os dinossauros”, alertou Matt Davis, principal autor do estudo. “É muito preocupante. Estamos cortando a árvore da vida, incluindo o ramo que é a nossa base. Ecossistemas ao redor do mundo já foram afetados pelo extermínio de grandes animais, como os mamutes”, diz.

A diferença entre a extinção em massa ocorrida na época dos dinossauros e a atual é que a primeira foi provocada por causas naturais e esta última pelas atividades humanas, ou seja, a maneira como o homem decidiu viver no planeta.

À medida que o Homo sapiens tomou o controle da vida na Terra e começou a ditar suas regras, demais espécies começaram a perecer. E com elas, toda sua linhagem distinta de biodiversidade, como também, suas funções vitais no meio ambiente.

“Grandes vegetações ou animais, como por exemplo, as preguiças gigantes e o tigre-de-dente-de-sabre, que tornaram-se extintos há aproximadamente 10 mil anos, eram muito diferentes do ponto de vista evolutivo. Entretanto, como tinham poucos “parentes”, suas extinções significaram como se um tronco inteiro da evolução da Terra fosse decepado”, explica Davis. “Há muitas espécies de ratos, então se algumas desaparecerem, não haverá problemas. Mas só havia quatro espécies de tigre-de-dente-de-sabre e todas elas não existem mais”.

Assim como ele, outros grandes bichos estão em um caminho que, infelizmente, parece sem volta. Em março deste ano, morreu o último macho de rinoceronte branco do norte do mundo. E a população de elefantes africanos foi reduzida em 30% nos últimos anos.

O estudo internacional é um grito por socorro. É mais um alerta mundial sobre nosso impacto na Terra. Esforços de conservação precisam ser intensificados e leis mais rígidas colocadas em vigor para proteger a vida do planeta.

“É muito mais fácil salvar a biodiversidade agora do que tentar “re-evoluí-la no futuro”, ressalta o pesquisador dinamarquês.

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Foto: domínio público/pixabay (abertura) e gráfico divulgação Aarhus University

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

Suzana Camargo

Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante seis anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para várias publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, acaba de mudar para os Estados Unidos

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