Guepardo: rumo à extinção

O guepardo (Acinonyx jubatus), o mamífero terrestre mais rápido do mundo, está perdendo a corrida contra a extinção. Estudo publicado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences, afirma que o felino ocupa apenas 9% de sua distribuição original. A população, que era de 100 mil animais no final do século 19, caiu para 7.100 na atualidade. Cerca de 77% da área de distribuição atual dos guepardos está fora de Unidades de Conservação, onde o habitat natural do felino cede espaço para a criação de gado. O guepardo prefere animais selvagens, mas pode caçar animais domésticos em algumas circunstâncias e é morto por fazendeiros em retaliação.

Os problemas não param por aí. Características que favorecem a velocidade foram selecionadas durante a evolução da espécie. O guepardo se tornou um predador que pode chegar a 110 km/hora e é capaz de caçar presas muito rápidas. Mas essa especialização traz desvantagens na hora de proteger o alimento e os filhotes. Frequentemente, as presas mortas por guepardos são roubadas por predadores maiores e a mortalidade de filhotes chega a 95% em algumas áreas da África.

Outro fator de risco é o tráfico de animais. Um filhote de guepardo pode ser vendido por até 10 mil dólares no mercado negro. Segundo o Cheetah Conservation Fund (Fundo de Conservação do Guepardo), cerca de 1.200 filhotes foram levados para fora da África nos últimos 10 anos. 85% morreram durante a viagem.

Para reconhecer a escala da ameaça que o guepardo enfrenta, o relatório sugere a mudança da categoria da espécie na Lista Vermelha da IUCN – International Union for Conservation of Nature (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) de vulnerável para ameaçada.

Isso ajudaria a concentrar o apoio internacional na conservação de uma espécie que ruma para a extinção em ritmo crescente.

O guepardo ruma para a extinção. Sem esforços de conservação, a espécie pode desaparecer para sempre

Fotos: Fábio Paschoal

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

Fábio Paschoal

Apaixonado por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de 2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).

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